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| José Luiz Prévidi |
Para muitos porto-alegrenses os melhores meses do ano já deixaram saudade. Porto Alegre não foi a mesma em janeiro e fevereiro neste ano, porque a cidade ficou menos vazia, mais agradável somente nos finais de semana. Os entendidos analisam que, com pouca grana, a debandada ficou para os sábados e domingos.
Estamos na segunda quinzena de março e a capital do Rio Grande do Sul está em seu ritmo normal, como toda cidade que ultrapassou um milhão de habitantes. Com todos os problemas e, felizmente, com muitas vantagens – é, sempre tem uma compensação.
Se nos dois primeiros meses do ano e nas duas primeiras semanas de março quase derretemos – alguns dias a temperatura chegou a 38 graus –, entramos no outono. E os entendidos em clima afirmam convictos, como sempre, que as temperaturas, a partir de agora, estarão abaixo da tradição.
Bom, muito bom para quem não suporta mais calor.
Para o visitante é um período excelente. Os dias são – desculpem – fresquinhos, mas é comum uma chuva fina e um vento constante. Mas nada insuportável. Nesta época o sol é agradável.
Os que estão loucos por uns dias mais frios saem em busca do “mocotó perfeito”. O visitante sem muita paciência e que não é chegado em aventuras pela Grande Porto Alegre, pode procurar uma terrina do manjar no Mercado Público. Um copo de vinho tinto, daqueles completamente sem safra, é o acompanhamento ideal.
Creiam, Porto Alegre tem tudo a ver com mocotó.
Estar em Porto Alegre e não saborear uma terrina de mocotó é um pecado imperdoável.
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| da Redação |
Fã-Clube de Porto Alegre
Lançada a idéia na edição passada, já contamos com 49 membros efetivos(?), espalhados pelo Brasil. Como é uma entidade informal, como a lendária Sociedade Amigos de Porto Alegre – SAPA – não aguardem carteirinha ou encontros burocráticos. Muito menos uma ata de fundação.
Merece registro a primeira associada.
Claudete Rihl mora em Estância Velha, na Grande Porto Alegre, e edita o semanário O Minuano. Topou de cara se associar a Facpa: “Eu topo. Como faço? Abraço de mais uma apaixonada por Porto Alegre, aliás, um porto alegre é sempre melhor que um porto seguro. Sem demérito ao da Bahia”.
O editor Jaksam Kaiser, direto de Florianópolis, econômico mas sincero nas palavras: “Ei!!! Muito legal! Valeu”.
Jandira Feijó, da Prefeitura da cidade, exagera: “Oi Prévidi, sensacional, simplesmente maravilhoso e que bom que és um cara persistente, determinado, pois só assim para sermos brindados com esta maravilha. Com certeza me cadastrarei. Abraços".
A professora Nea Castro, a boa Baiana, apaixonada pela cidade, sugere: "Outra música linda de Portinho é do Giba Giba, é a Mordida na Flor - Caí alegre, cais alegre, é o porto é o cais , é Porto Alegre, meu amor....".
Mestre Madruga Duarte, direto de Lapa, no Paraná, sugere e nós acatamos: “O esquema do teu novo site palegre está muitto bom. Talvez possas pensar em incluir explicação sobre nomes de ruas, pois a maioria da população desconhece a razão do nome de sua própria rua.
E sugerir bons bares, bons restaurantes, programas culturais/turísticos oferecidos gratuitamente pela cidade.
Eu, por exemplo, tomei conhecimento de que existia um site sobre o nosso mercado. Acessei e - por incrível que pareça - não consegui saber o básico - o que posso comprar lá? Abracito”.
Aí estão alguns apaixonados por Porto Alegre que se manifestaram.
Vamos aumentar os sócios informais da FACPA!!
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| da Redação |
Semana da cidade
Para comemorar o aniversário da cidade, nada melhor do que tirar um tempo e conhecê-la mais e melhor. Foi pensando nisso que o Escritório Municipal de Turismo incorporou atrações à programação organizada pela prefeitura no projeto 24 Horas de Cultura. Vai oferecer, de 24 a 31 deste mês, a oportunidade de contato com alguns detalhes destes 235 anos de história e curtir melhor a cidade em passeios diferenciados. Na maioria das opções, o ingresso será a doação de 1kg de alimento não-perecível.
Caminhadas, city tour e passeios de barco
Entre os roteiros estão as caminhadas "Centro Alto - Valorizando a Matriz" e "Centro Baixo - O início da Cidade" (dias 25 e 31), um programa especial e especial para PPDs no Centro Histórico (dia 24) e o roteiro Ecoturístico Morro do Osso (dia 25).
Durante a Semana, haverá ainda uma agenda especial dos barcos que realizam passeios no Guaíba e na Lagoa do Patos, além da opção de um domingo (25) diferente nos Caminhos Rurais de Porto Alegre. No dia 26, aniversário da cidade, o Linha Turismo presenteará os passageiros aniversariantes na data com um city tour cortesia.
A programação detalhada pode ser conferida no site da Prefeitura, www.portoalegre.rs.gov.br/turismo. Para mais informações, inscrições e reservas, contate o 0800 51 7686.
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| da Redação |
Praia de Belas
O visitante de primeira viagem pode acreditar que o nome tem origem num local de areias límpidas do Guaíba, com lânguidas mulheres se bronzeando e uma suave brisa acolhendo a todos. Pode parecer, mas não é nada disso. A “praia” tem até algum sentido, porque a região acompanha um trecho do Guaíba. O “belas”, péssima informação, é de um antigo proprietário, o senhor Antônio Rodrigues Belas.
Belas mulheres os visitantes podem conferir no Shopping Center Praia de Belas e no Parque Marinha do Brasil. Sem procurar muito, elas estão também nas ruas e avenidas do pequeno bairro.
Mas o seu Belas morava na região e ao longo do então rio – hoje, lago – construiu uma estrada para ter acesso mais rápido ao centro da cidade. Ele mexia com escravos e sempre que alguém o procurava, diziam: é lá na praia do Belas. Foram construindo casas ao longo da estrada e o Belas não se importava. No final do século XIX já havia uma certa organização.
O bairro mesmo teve impulso com as obras de aterramento do Guaíba e nos anos 60 recebeu um impulso maior. Nesta época era tradicional o Mercado das Frutas, onde os barcos chegavam ao local e vendiam a produção da região.
Além do Shopping e do Parque, o bairro tem o orgulho de ter em seu território o Estádio Beira-Rio, do Sport Club Internacional, o mais popular da cidade.
Ou não é o mais querido?
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| Jayme Copstein* |
Condessa
Até o início dos anos 40, Oscar Condor dos Andes Condessa habitou a Rua da Praia. Marujo de águas ardentes, navegava sobranceiro por todos os bares, nos quais deixava frases de espírito e versos magoados.
Talvez o “Condor dos Andes” ele mesmo tivesse acrescentado ao nome para torná-lo pomposo. A mesma pompa com que festejava quem lhe pagasse o próximo trago: “Tropeçaste na minha simpatia e caíste dentro do meu coração”. Ou como disse ao poeta Paulo de Gouvêa: “Deixas atrás de ti um rastro luminoso e um vago som de música flutuando.”
O que ele próprio tinha deixado para trás, era enigma. Fazia versos para contar a tragédia pessoal, sem dizer se o álcool fora causa ou conseqüência: “Se ela voltasse outra vez sobre os seus passos/ Refazendo de novo a nossa vida/ Eu lhe abriria eternamente os braços/ E outra ilusão viria, mais querida.”
Como não deixou nada escrito, tudo se perdeu. As migalhas sobradas ficaram apenas na memória de circunstantes. O escritor Theodemiro Tostes guardou dois tercetos de um provável soneto: “Meu Deus, em cuja fé meu filho cresce / Meu Deus, em cujas mãos meu filho ponho / Dá-lhe confiança, dá-lhe ânimo e saúde // Que ele, na vida que ainda mal conhece, / Possa dar à vida a quanto foi meu sonho/ E ter o que eu quis ter e não pude”.
O resto era irreverência, para fazer as pessoas rirem e convidá-lo ao próximo cálice.
Quando estourou a Revolução de 30, Condessa correu a se alistar voluntário, pondo no chapéu uma fita vermelha com a frase: “Tenho pena dos que ficam”.
Não foi aceito, por motivos óbvios. Para não magoá-lo ainda mais que a vida, disseram-lhe que não havia mais vagas. Que alguém tinha que guarnecer a retaguarda.
Conformado, mudou a frase da fita: “É preciso coragem para ficar”.
* É jornalista e escritor, cronista do www.coletiva.net
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| da Redação |
Semana de Porto Alegre
A Prefeitura prepara uma série de eventos para os 235 anos, comemorados em 26 de março. É a 48ª edição da Semana. A novidade da festa neste ano é o projeto 24 Horas de Cultura, que acontece nos dias 24 e 25, com eventos gratuitos.
Nós selecionamos partes da programação que, na nossa avaliação, deve ser conferida.
ORLA DO GUAÍBA (Rotatória da Avenida Edivaldo Pereira Paiva)
Show do Nenhum de Nós
Data: 24/03 - sábado
Horário:18 horas
PAÇO MUNICIPAL
Projeto Sons e Cores
Data: 24/03 - sábado
Horário: 9h30 às 16h00
Visitação à obras da Pinacoteca do Paço (visitas guiadas a cada meia-hora)
11h - Apresentação da Banda Municipal
- Exposição da Ata de fundação de Porto Alegre
Acervo do Arquivo Histórico Moysés Vellinho.
Data: 24/03 - sábado
Saguão do Paço Municipal
PRAÇA DA ALFÂNDEGA
Invasão Cultural do Centro
Local: Memorial do Rio Grande / Santander Cultural e Margs (onde também acontecem exposições comemorativas a Porto Alegre).
Observação: Mesas e cadeiras ao ar livre, localizados entre o MARGS e o Memorial, serão instaladas para apreciação do show.
Apresentações:
17h30 - Flor de Ébano (chorinho)
18h30- Carine Cunha
19h30 - Parabéns a Porto Alegre
20h00 - Nei Lisboa
CLUBE DO COMÉRCIO
Baile da Maturidade
Banda Norberto Baldauf
Data: 24/03
Horário: das 15 às 19 horas
Local: Clube do Comércio
PARQUE DA REDENÇÃO
Data: 24/03 - sábado
Ocupação de toda a alameda central
· Festival de danças gaúchas, invernadas mirins e juvenis.
Horário: 11 horas
Local: Tablado no Monumento ao Expedicionário
· Música no Parque
James Liberato, Manoel Tchembo e Sombrero Luminoso
Horário: das 12 às 16 horas
Local: Palco junto à rotatória (UFRGS)
Música no Parque
Canto Livre, Egisto dal Santo e Frank Jorge
Local: Palco junto à rotatória (UFRGS)
Grupos de capoeira, Dança de Rua
Horário: 15h
Local: Tablado no Monumento ao Expedicionário
Atividades Circenses, Teatro de Bonecos, Teatro de Rua, Tenda mística
E a Escola Bambas da Orgia - Arrastão final com grupo-show da escola de samba campeã do Carnaval 2007
Horário: 17 horas
Exposição da maquete da Cidade de Porto Alegre - Representação do mapa da cidade datado de 1839.
Data: 25/03 (domingo)
Local: Redenção -Alameda Central
Exposição "1906 - Uma Macchina veloz na cidade!!!" - composta de 13 banners mostrando a chegada do primeiro automóvel na cidade.
Local: Alameda Central da Redenção
SHOPPING TOTAL
· Os Fagundes
Com a participação de Airton Pimentel e Vitor Hugo
Data: 24/03 - Sábado
Horário: 17 horas
· Hard Working Band
Data:25/03 - domingo
Horário: 11 horas
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Fernando Albrecht* |
Boas maneiras
Falar em estratégias para lidar com criminosos e a violência sempre me remete à segunda metade dos anos 60, quando houve um súbito aumento da criminalidade em Porto Alegre. Nada comparável aos dias de hoje, claro, mas na época a Capital se assustou com repetidos assaltos a bancos e até bares e restaurantes. Eram poucos os bandidos linha de frente, como eram chamados os mais notáveis, como Julinho, Mina Velha, Orelha de Burro e o Pingüim, este último especialista em roubar abrir fuscas em segundos apenas dando um golpe com o punho na fechadura.
Bueno. O método para "abrir" os presos não era nada científico, na base da porrada mesmo. Vai daí que um dos mais ativos policiais, um comissário, era temido pelos presos por causa das suas enormes mãos e o uso que fazia delas. Seu chefe era um delegado, que também era professor e vivia com sua sala cheia de pais e professores. Aí o comissário entrava na sala e perguntava o que fazer com determinado preso.
- Delegado, vou dar umas porradas no vagabundo.
O delegado então pediu que fosse mais discreto, para não chocar as visitas. E ensinou um método: ele devia escrever em um dos lados da palmatória de madeira (com furos para não causar hemorragia interna) "boas maneiras" e no outro, ricamente revestido de borracha de pneu "psicologia". Foi um santo remédio. Daí em diante o policial entrava na sala e simplificava o problema.
- Delegado, uso psicologia ou boas maneiras no vagabundo?
* É colunista diário do Jornal do Comércio, apresentador da Band AM de Porto Alegre e do site www.fernandoalbrecht.com.br, onde foi publicada esta história.
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| da Redação |
Sálvia Pizza
Vale, por dois motivos.
A Veja Porto Alegre, na edição passada, considerou a Sálvia a melhor pizzaria da cidade, comparando-a com as top de São Paulo.
Rodrigo Goulart Pinto, o dono da Sálvia, criou-se dentro de uma lendária pizzaria de Porto Alegre, a Milano, que ficava na avenida Protásio Alves. Nos anos 80 não havia nada parecido na cidade – o forno a lenha era uma novidade. O pai de Rodrigo criou a Milano.
A Sávia tem um requintado cardápio de calzones, brusquetas e rulinos, além das pizzas. Como não poderia deixar de ser, a Sálvia Pizza é a principal do menu - mussarela, cogumelos, funghi e shitake, refogados no vinho branco, parmesão e sálvia.
A mais saboreada é a Predileta, coberta com mussarela, presunto de Parma, tomate, nozes e alface-americana. Ambas custam R$ 26,60.
Confira:
Avenida Wenceslau Escobar, 1973, loja 5 e 6, Tristeza (Shopping Granville), 3268-9999 e na rua Comendador Caminha, 338, Moinhos de Vento, próximo ao Parcão, 3268-0000.
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| da Redação |
Cidades de Erico Verissimo
Porto Alegre foi a cidade escolhida pelo escritor Erico Verissimo para passar grande parte de sua vida. Em seus romances retratou muitas cidades reais e inventou várias. “As Cidades Imaginadas de Erico Verissimo” nos romances Noite, O Senhor Embaixador, Música ao Longe e Um Lugar ao Sol é uma coletiva que vai mostrar a idéia de artistas do RS sobre a proposta.
Adalberto Almeida, André Venzon, Bina Monteiro, Wilson Cavalcanti, Danúbio Gonçalves, Edgar Vasquez, Eduardo Vieira da Cunha, Fabio Zimbres, Joaquim da Fonseca, Liana Tim, Mara Caruzo, Marilice Corona, Nelson Jungbluth, Paula Mastroberti e Rodrigo Nuñez apresentam sua leitura das cidades de Jacarecanga, Cerro Hermoso, Porto Alegre e Washington, na exposição que tem curadoria de Vera Pellin.
Na programação paralela à exposição, acontece em 22 de março o lançamento do catálogo As Cidades Imaginadas de Erico Verissimo, seguido de palestra no Auditório do Museu. O livro tem 56 páginas, em edição bilíngüe (português-inglês) e apresenta texto biográfico escrito por Armindo Trevisan e Maria da Glória Bordini, com ilustrações dos artistas participantes da coletiva.
O evento é no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs),
Na praça da Alfândega, no centro da cidade.
Vai de 14 de março a oito de abril.
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| da Redação |
Aureliano de Figueiredo Pinto
Por desinformação ou divulgação falha, os porto-alegrenses não conheciam a obra de Aureliano de Figueiredo Pinto quando virou avenida. Confesso que quando vi o nome o relacionei a três “homenageados”: Aureliano Chaves, João Baptista Figueiredo e Magalhães Pinto. Não sei a razão, creio que pela desinformação.
Não existe muita literatura sobre o médico, poeta e escritor gaúcho. Sabe-se, por exemplo, que nasceu em Tupaciretã, em 1898. Dedicou-se ao tema regional, como Cyro Martins, Pedro Wayne e Ivan Pedro de Martins. Até a sua morte, em 1959, não era conhecido, apesar de escrever uma poesia forte e simples, coloquial mesmo.
O romance Memórias do Coronel Falcão foi editado apenas em 1973 – foi escrito nos anos 30 – e é considerado um clássico da literatura gaúcha. É uma crítica às práticas da Primeira República, mostrando a corrupção dominante e oficializada.
O historiador Mozart Pereira Soares, em depoimento na Assembléia Legislativa, refere-se da seguinte forma: “...Depois disso vamos entrando nos mais modernos, como o Vargas Neto, com sua poesia gauchesca, e o imenso Aureliano de Figueiredo Pinto, que foi o poeta maior do regionalismo, fazendo em poesia o que o Simões Lopes Neto realizou em prosa. Ele usou a mesma linguagem do gaúcho como enfeite de sua poesia, enquanto o apanhado do que tem de poético nas manifestações do homem gaúcho seja talvez o mais forte. Vargas Neto é muito objetivo, é fotográfico; Aureliano é mais pintor”.
No ano em que morreu foram publicadas algumas poesias em Romances de Estância e Querência. (JLP)
Trechos de Aqui estou, Sr. Inverno
Já sei que chegas, Inverno velho!
Já sei que trazes - bárbaro! O frio
e as longas chuvas sobre os beirais.
Começo a olhar-me, como em espelho,
nos meus recuerdos... Olho e sorrio
como sorriram meus ancestrais.
...
Aqui me encontras... Nunca deserto
do uivo dos ventos e das matilhas
de angústias vindo sem parcimônias.
Chega ao meu rancho que estou desperto:
- sou veterano de cem vigílias,
sou tapejara de mil insônias.
...
Tua estratégia de assalto e espera
conheço-a muito, fina e feroz:
de neve matas; matas de mágoa;
derramas nalma um frio de tapera;
nanas ausências a meia voz
e os olhos turvos de rasos d'água.
...
Então soluças pelas janelas,
gemes e imprecas pelos oitões,
galopas louco sobre as rajadas,
possesso, ululas entre procelas.
E ébrio, nas noites destes rincões
lampejas brilhos de punhaladas.
...
Reconciliemo-nos, velho Inverno!
Nem és tão rude! Tão frio não sou...
Venha um abraço muito fraterno.
Olha...
Esta lágrima que rolou
não a repares...
É de homenagem
a alguém que aos céus se fez de viagem,
e nunca... nunca! Nunca mais voltou...
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| da Redação |
Frank Solari
Porto Alegre faz parte do segundo CD de Frank Solari, O Círculo Mágico, lançado em 1998. Nascido na cidade em 1972, Frank é formado em piano clássico e teoria musical pela UFRGS. No entanto, aprendeu sozinho o seu principal instrumento de trabalho, a guitarra, e hoje é considerado um dos maiores instrumentistas do país.
Escute aqui a bela música Porto Alegre.
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