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| José Luiz Prévidi |
26 de março. Feliz da vida, o porto-alegrense comemora o aniversário da cidade. Desta vez, são 235 anos. A programação, organizada pela Prefeitura em parceria com algumas empresas, é extensa e contempla todas as regiões. Para a festa ser a mais democrática possível, vários eventos acontecem no Parque Farroupilha, a bela Redenção, e no Centro, como no Largo Glênio Peres.
Cabe destacar uma ação e um evento, dentre várias opções, para os visitantes.
Desde o dia 20, turistas que desembarcam no Aeroporto Internacional Salgado Filho e utilizam o serviço de táxi da Cootaero, recebem gratuitamente um exemplar da 10ª edição do Mapa Ilustrado de Porto Alegre. A publicação é bilíngüe (inglês/português). A iniciativa, inédita em aeroportos brasileiros, é da editora Photomundi em parceria com o Escritório Municipal de Turismo.
A Semana de Porto Alegre encerra no sábado, dia 31, a partir das 21 horas, no Parque da Redenção, com o tradicional Baile da Cidade, animado pelos conjuntos Impacto e Mensagem.
Vale conferir!
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| da Redação |
Um “movimento armado”
O gaúcho, de um modo geral, não é afeito a manifestações de carinho e até mesmo de admiração. Demonstrações de respeito podem até acontecer, mas são discretas. O engraçado é que o mesmo gaúcho, de uma maneira geral tão prudente quando se trata de mostrar simpatia por algo, se transforma ao transpor o rio Mampituba, que separa o RS de Santa Catarina.
Torna-se um defensor intransigente do Estado. Sua cidade, por menor que seja, é inigualável. Pode detestar os tradicionalismos, mas fala da indumentária, da comida e da música com um desembaraço inimaginável. A defesa dos costumes gaúchos deixa um patrão de CTG – Centro de Tradições Gaúchas – sem palavras. Quando fala das atrações turísticas começa sempre por Gramado, mesmo que depois da primeira viagem para a cidade da Serra não encontre mais nenhum atrativo, nem mesmo os chocolates e as tradicionais malhas.
Churrasco? Só em terras do Rio Grande, não se cansam de falar. Omite que não suporta costela gorda, mas isso é detalhe. O chimarrão é o nosso símbolo maior, esbraveja. Não menciona que tem um trauma de infância, por ter queimado a língua e arredores na primeira vez que sorveu o líquido fervente.
Assim é o gaúcho, apaixonado pelo Rio Grande e por Porto Alegre. Nada se compara a capital. Nada, nada. Nenhuma cidade de seu porte tem tantos pontos positivos. Está bem, alguns que conhecem Montevidéu dizem que são semelhantes, mas a capital uruguaia “tem muita velharia”.
Dentre todos os e-mails que temos recebido, o de Sérgio Cunha, um executivo da terra que vive há anos em São Paulo, define este sentimento: “Prévidi, já podes considerar São Paulo integrada ao FACPA (até parece um movimento armado de resistência gaúcha).
Abraços, daqui de longe, mas sempre por perto”.
Grande Sérgio Cunha, de longe, pegou o espírito da FACPA.
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| da Redação |
Semana da cidade
Para comemorar o aniversário da cidade, nada melhor do que tirar um tempo e conhecê-la mais e melhor. Foi pensando nisso que o Escritório Municipal de Turismo incorporou atrações à programação organizada pela prefeitura no projeto 24 Horas de Cultura. Oferece, de 24 a 31 de março, a oportunidade de contato com alguns detalhes destes 235 anos de história, e curtir melhor a cidade em passeios diferenciados. Na maioria das opções, o ingresso será a doação de 1kg de alimento não-perecível.
Caminhadas, city tour e passeios de barco
Entre os roteiros estão as caminhadas "Centro Alto - Valorizando a Matriz" e "Centro Baixo - O início da Cidade" (dias 25 e 31), um programa especial e especial para PPDs no Centro Histórico (dia 24) e o roteiro Ecoturístico Morro do Osso (dia 25).
Durante a Semana, haverá ainda uma agenda especial dos barcos que realizam passeios no Guaíba e na Lagoa do Patos, além da opção de um domingo (25) diferente nos Caminhos Rurais de Porto Alegre. No dia 26, aniversário da cidade, o Linha Turismo presenteará os passageiros aniversariantes na data com um city tour cortesia.
A programação detalhada pode ser conferida no site da Prefeitura, www.portoalegre.rs.gov.br/turismo. Para mais informações, inscrições e reservas, contate o 0800 51 7686.
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| da Redação |
Partenon
Para quem não sabe ou se esqueceu, o Partenon era, antes de um bairro de Porto Alegre, um templo construído num morro de Atenas, para que Minerva fosse idolatrada. E o que a capital gaúcha tem a ver com o templo grego?
Calma, calma.
Vamos a história do Partenon de Porto Alegre.
Em 1868 um grupo de intelectuais, tendo a frente Caldre e Fião e os irmãos Apolinário, Apeles e Acchylles Porto Alegre, decidem criar a Sociedade Parthenon Litterario. Não tinham um lugar fixo para as reuniões – contavam com a boa vontade de donos de livrarias e cafés. O tempo foi passando até que tiveram a idéia de construir uma sede. Um dos participantes, entusiasmado, doou uma parte de suas terras, num morro próximo a Estrada de Mato Grosso, hoje avenida Bento Gonçalves.
Num morro! Estava decidido! Iriam construir uma réplica do Partenon grego.
É bom lembrar que a Academia Brasileira de Letras surgiu 30 anos depois. E os intelectuais porto-alegrenses já tinham publicado vários livros e a conceituada Revista Literária.
Pois bem, em 1873 lançaram a pedra fundamental do templo, num local belíssimo – onde hoje está a Igreja de Santo Antônio, fundada em maio de 1875. Pequenas brigas impediram que a obra iniciasse. Com a obra parada, empreendedores iniciaram a construção de um loteamento, principalmente pela beleza natural da região. Propuseram à Sociedade utilizar o nome Partenon. Em troca receberam alguns terrenos. Mas nada foi feito. Mais tarde doaram as terras à Santa Casa de Misericória.
A Sociedade foi oficialmente extinta em 1925, mas desde 1885 não se reuniam mais.
No bairro várias ruas prestam homenagem aos principais líderes do Partenon, como a Dr. Caldre Fião, atualmente rua Paulino Chaves, mas que cedeu seu nome a outra, um pouco mais abaixo, e a 18 de junho, dia da fundação da Sociedade, não existindo mais. Mais ou menos onde hoje é a rua Luís de Camões.
O Partenon foi se desenvolvendo, principalmente depois que foi criada uma linha de bonde, puxado por burros. O bonde elétrico chegou em 1910, mas o bairro já estava plenamente desenvolvido, principalmente no entorno da Igreja de Santo Antônio.
Detalhe curioso: Em 1884, 41 louquinhos da cidade inauguraram os pavilhões do Hospício São Pedro, numa área isolada.
Hoje é um bairro essencialmente residencial, mas com bom comércio e ainda tem resquícios do período em que tinha inúmeras indústrias – a Companhia Geral de Indústrias, que fabricava os famosos fogões Geral, foi a principal.
O bairro foi oficialmente criado em dezembro de 1959.
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| Jayme Copstein* |
Quintana e a Academia
Alguém me pergunta se José Sarney era membro da comissão que convidou Aurélio de Lyra Tavares a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Ele não me contou, de propósito, quem foram os paisanos. Sentiu a provocação da pergunta, de como conseguira ingressar na Casa de Machado de Assis, e retrucou, como se dissesse: "Não pedi nem obriguei ninguém". Não precisou acrescentar qualquer alusão irônica à lustração de botas.
Não sei, pois, se Sarney contribuiu para que o general trocasse o brim verde-oliva do Exército pelo veludo verde-garrafa da Academia. Mas, com toda a certeza foi ele quem impediu o ingresso de Mario Quintana na instituição, em 1982.
Quintana candidatou-se pela primeira vez em 1981, com o apoio de intelectuais gaúchos. Ninguém sabia, no Rio Grande do Sul, a topografia do caminho que, então, abria aquelas portas. Pensava-se, com simplória ingenuidade, em algum chavão latino, como "ars, scientia et virtus". Acabamos convencidos de que nem mesmo ao velho Machado se respeitava. Prevalecia: "Ao vencedor, as batotas!".
A primeira tentativa de Quintana nasceu morta. Telefonema de Antônio Houaiss a Maurício Rosenblatt pediu a retirada da candidatura. Eduardo Portella, ministro da Educação de João Figueiredo, se desaviera com a ditadura e deixara o governo. Segundo Houaiss, impunha-se sua eleição sem concorrentes para preservá-lo de eventuais represálias. Era assegurada a Quintana a vaga da próxima eleição.
O poeta recusou o arranjo, mas por solidariedade. Achou que concorrendo e perdendo, enfatizava mais a importância de eleição de Portela. É difícil saber se a boa intenção foi mal-entendida ou se o amadorismo com que a candidatura era conduzida resultou na segunda derrota.
A terceira tentativa foi orientada por Vianna Moog, então o único gaúcho na Academia. Quintana cumpriu todo o ritual, foi ao Rio de Janeiro, fez visitas protocolares e voltou para o Rio Grande do Sul, certo, como todos nós, de que desta vez obtivera o número de votos necessários. Seu concorrente mais próximo era Carlos Castello Branco, grande nome do jornalismo, mas sem a importância literária do nosso poeta.
Nas vésperas da eleição, Quintana recebeu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul o título de professor "Honoris Causa". Estava feliz e eufórico como nunca. Concluída a cerimônia, um repórter lhe perguntou, sem malícia, já que ele agora parecia ter descoberto o caminho, como se ingressava na Academia.
Quintana, fazendo humor, respondeu que dependia do "QI" – quem indica. O Globo publicou a piada no dia seguinte. Ninguém viu maldade nela. A não ser José Sarney, cabo eleitoral de Castello Branco, que distribuiu cópias da reportagem para todos os acadêmicos, na hora da votação.
Houve algumas indignações – encomendadas, é claro – e Vianna Moog tentou aparar o golpe. Esforçou-se em vão para sustar a votação. No dia seguinte, o Jornal do Brasil publicava o telefonema de Sarney a Castello Branco, dizendo: "Missão cumprida". Uma façanha, com toda a certeza, mas da qual não se pode separar a perfídia cometida.
Sarney cometeu um equívoco em relação a Castello. Não percebeu que a integridade pessoal, mais do que o imenso talento, é que o tornava um ícone do jornalismo. Quando quis cobrar a conta, não levou. Nada lhe tinha sido pedido, ninguém lhe devia nada. Foi criticado por Castello por suas mambiradas e ficou possesso.
Muitos anos depois, Sarney veio a Porto Alegre e fez questão de encontrar Quintana. Eu soube depois do caso passado. Perguntei ao poeta se ele não se sentira constrangido. Respondeu-me: "Não, não me senti. Ele foi muito gentil comigo!".
Foi quando tive certeza de que "Anjo Malaquias" era autobiográfico.
* É jornalista e escritor, cronista do www.coletiva.net
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| da Redação |
Feira do Peixe de Porto Alegre
Pode não parecer, mas é uma festa tradicional da cidade. A 227ª Feira do Peixe de Porto Alegre foi lançada no domingo, 25, na colônia de pescadores Z5, na Ilha da Pintada. A programação foi ao longo do dia com almoço, feira de artesanato, show de artistas locais, concurso de pesca infantil e competição de barco a remo e caiaque. Depois do lançamento oficial, a Feira do Peixe vai para o Largo Glênio Peres, das 8 horas do dia três de abril ao meio-dia da Sexta-feira Santa, 6. Serão 70 bancas - 65 de pescado, duas de peixe na taquara e três pontos de venda com lanches derivados de frutos do mar.
O slogan da edição deste ano - A tradição é da cidade. O tempero é seu! - é ilustrado com fotos de peixes temperados e potes de diversos tipos de temperos e iguarias, utilizados na elaboração dos pratos de pescado. "O cartaz valoriza as pessoas que preparam o peixe na Sexta-feira Santa. Afinal, são os cozinheiros que escolhem e compram o peixe para preparar e servir aos seus familiares", afirmou o presidente da Colônia Z5, Vilmar Ieggli Coelho.
A 227ª Feira do Peixe é uma promoção da Secretaria da Produção, Indústria e Comércio, Centro Administrativo Regional Arquipélago e Colônia de Pescadores Z5 da Ilha da Pintada. A Feira do Peixe estará, pelo terceiro ano, integrada com o Mercado Público. Os temperos, vinhos e chocolates poderão ser adquiridos nas tradicionais bancas especializadas do Mercado.
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Fernando Albrecht* |
Histórias da Pelotense
Entre as histórias mais esquisitas da Pelotense, o lendário bar da rua Riachuelo, está a do último dono, seu João. O local teve vários proprietários ao longo dos anos, a começar pelo português Armando Monteiro, que vendeu o ponto para seu João, um ex-garçom.
Um dia, seu João sumiu.
Sumiu mesmo, de uma hora para outra. Saiu do caixa e disse para os funcionários que iria para o dentista. Nunca mais voltou. Até hoje seu sumiço é um mistério. A única pista é que ele colecionava ouro. Comprava ouro novo ou velho, ouro de dentista, de jóias, de relógios ou qualquer adereço e procedência.
Talvez estivesse fazendo caixa para dar no pé, de saco cheio da vida de agüentar borracho e bronca.
O coronel Dudu, tinha uma tese: O seu João fora raptado por marcianos. Verdade que Dudu - que não era milico e nunca foi - não tinha lá muito crédito. Seu feito mais notável era conseguir dormir de pé quando ia urinar no banheiro. Era um dos chamados bebedores "empé", que se encostavam no balcão e ali biritavam.
Um dos empé era um circunspecto economista, que olhava com desdém para a borracharia da Mesa Um e prognosticava um futuro sombrio para todos via cirrose. Tomava apenas uma dose, umazinha só, de maracujá com leves traços de cachaça.
- Primeiro vai aquele juiz, depois o jornalista de barba, em seguida, o engenheiro polaco. Aquele fazendeiro, então, não recebe o 13º...
Teoricamente tinha razão, porque o consumo de birita na Mesa Um se media em hectolitros/dia.
Teoricamente.
Um dia, ele rogou a sua praga de sempre, tomou sua dose única no balcão, saiu olhando feio para a turma e caiu morto na calçada. Mortinho da Silva.
* É colunista diário do Jornal do Comércio, apresentador da Band AM de Porto Alegre e do site www.fernandoalbrecht.com.br, onde foi publicada esta história.
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| da Redação |
Um duelo saudável
Qual o melhor time de Porto Alegre? Grêmio ou Internacional?
Qual a melhor churrascaria? Barranco ou Na Brasa?
A Na Brasa, mais jovem, veio atrapalhar o reinado da Barranco.
História 1: O casal Mairi e Lemir, em 1981, saiu da cidade de Encantado para novas experiências e novos conhecimentos em grandes centros gastronômicos, para fundamentar e idealizar um projeto de vida – o de montarem um restaurante que se diferenciasse dos demais.
O projeto passou a ser executado em 1983 quando chegaram na capital gaúcha depois de alguns anos no Rio de Janeiro. Escolheram o Centro para inaugurar o bar Nossa Lancheria, que servia comida caseira.
Em 1990 criaram a Churrascaria Na Brasa, sendo a primeira da região.
História 2: A família Tasca idealizou a Barranco, como é conhecida. O Barranco Bar e Churrascaria iniciou sua história em 1969, do antigo avarandado em meio a uma quase floresta, na subida da avenida Protásio Alves. Do projeto inicial restou apenas as frondosas árvores e o mesmo ambiente. Nos últimos anos a casa passou por poucas mudanças, tendo em vista que a área é tombada como patrimônio.
Elson Furini, desde 1971, comanda o Barranco. Orgulha-se de oferecer o melhor lombinho de porco com queijo e o chope mais gelado da cidade.
Ok, o mesmo espaço para as duas histórias – como se estivesse fazendo um histórico de Internacional e Grêmio.
Não vamos sugerir nenhuma das duas. Ambas merecem uma visita. A Barranco tem um cardápio quilométrico, perfeito; a Na Brasa oferece 25 cortes de carnes e 29 tipos de saladas.
Qual a melhor?
Confira!
Barranco: avenida Protásio Alves, 15781959 – 51 3331-6172 (reservas)
Na Brasa: rua Ramiro Barcelos, 389, esquina rua São Carlos – 51 3225-2205
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| da Redação |
Bienal do Mercosul realiza Simpósio
Até seis de abril, a Fundação Bienal do Mercosul recebe inscrições para o Simpósio Terceira Margem: educação para a arte / arte para a educação. O Simpósio, que acontece nos dias 11 e 12 de abril, em Porto Alegre, é aberto a professores, arte-educadores, artistas, estudantes e interessados. As vagas são limitadas.
Durante o evento, artistas e educadores brasileiros vão discutir projetos e ações que contemplam rupturas de paradigmas e que negociam novas fronteiras entre a arte e a educação. As iniciativas da comunidade, as iniciativas privadas, depoimentos de artistas envolvidos em questões educativas e de educadores envolvidos em práticas artísticas são alguns dos diversos pontos abordados durante o evento. Todos os temas têm em comum a busca por uma nova maneira de pensar a educação para a arte e a arte como forma de educar.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo www.fundacaobienal.art.br. Na seção de Notícias, o interessado pode encontrar as instruções para efetuar a inscrição. Informações pelo 51 3228 4074 ou através do e-mail simposio@bienalmercosul.art.br.
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| da Redação |
Luciana de Abreu
A 11 de Julho de 1847, noite de inverno, em que os elementos, em furia, afugentavam as estrellas, tilintou nervosamente a sineta da 'Roda dos Expostos' da Santa Casa de Misericordia da cidade de Porto Alegre. Uma creaturinha debil e mimosa, olhos mal abertos à luz da vida, num melancolico vagido parecia chorar pelo suave calor de um seio materno...
Desta forma, Andradina de Oliveira, nascida em 1859,que escreveu vários livros (“Divórcio” foi o principal) sobre o jugo da mulher e criou o jornal O Escrínio, de incentivo as atividades da mulher e que defendia o divórcio, se refere ao nascimento de Luciana de Abreu.
Luciana teve sorte. Um guarda-livros, da casa comercial de Porto & Irmão, Gaspar Pereira Vianna, tirou-a da roda na Santa Casa – onde recém-nascidos eram abandonados – e levou-a para a sua casa. Foi criada como uma filha. Tornou-se educadora e lutou pela emancipação feminina. Foi uma das primeiras ideólogas de uma educação avançada e defensora intransigente da emancipação da mulher.
Foi participante ativa da Sociedade Partenon Literário (Leia Um Bairro!), onde foi a primeira mulher a discursar.
Aos 20 anos, já casada, ingressou na Escola Normal de Porto Alegre e quando começou a trabalhar como professora – numa escola pública e mantinha uma escola particular de muito sucesso –, os pais das crianças insistiam para que ela fosse a orientadora. Consta que foi a mais notável educadora da infância no RS. Paralelamente, dizia que queria “justiça para o seu sexo”, justiça para as mulheres em meados do século XIX. “Os preconceitos são círculos de ferro”, afirmava.
Em 1880 não resistiu a uma tuberculose.
A rua Luciana de Abreu, em Porto Alegre, vai da avenida 24 de Outubro a rua Engenheiro Álvaro Nunes Pereira, no bairro Moinhos de Vento.
Confira trecho de um discurso de Luciana de Abreu, na Sociedade Partenon Literário, em 1879:
"E vós, senhoras brasileiras, que reunis à beleza plástica uma vasta inteligência e um terno coração, não quereis que pulse êle ao amor das letras e da glória nacional? - Ontem, proscritas da ciência e consideradas apenas meros ornatos dos salões, deu-vos o Partenon um lugar de honra no banquete do progresso. Hoje, que a voz autorizada de Andrada se elevou no parlamento nacional em prol de vossos foros, estreai no Partenon o uso de vossos direitos".
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| da Redação |
Outono em Porto Alegre
Os Engenheiros do Hawaii tem muito a ver com Porto Alegre – afinal, foi aqui que a banda se projetou e ficou conhecida em todo país. Outono em Porto Alegre é uma criação de Humberto Gessinger e Paulinho Galvão. Está no álbum Dançando no Campo Minado, de 2003.
Vale a pena escutar.
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