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José Luiz Prévidi

Indignado com o desperdício de água, na edição anterior tratei da absurda mania de se lavar calçadas com mangueira. Lembrei que quem passear pelas ruas da capital gaúcha, nas primeiras horas da manhã, constatará essa triste prática. Em qualquer rua se encontrará uma pessoa “varrendo” folhas, por exemplo, com a água da mangueira.
Se alguém se atreve a falar sobre o desperdício, o maníaco doente por limpeza dispara: “Sou eu quem está pagando a conta de água!”. É dispensável se falar da preocupação de todos com o desperdício de água.
Não são poucas as cidades do país que sofrem diariamente com racionamento de água. Não vamos nem considerar aqueles porto-alegrenses que não contam com água encanada nas cozinhas e banheiros.
Sugeri que a Câmara de Vereadores deveria tratar, o mais rápido possível, de uma legislação, simplesmente proibindo a lavagem de calçadas com mangueiras. E inclusive com previsão de multas. Ao mesmo tempo, uma campanha publicitária, da Prefeitura com parceiros privados, alertando para o absurdo.
Legal!
Recebi o e-mail que transcrevo abaixo:

Prezado Prévidi:
Talvez lembre que fui Diretor-Geral do Dmae, com o prefeito Olívio Dutra. Às vezes tinha vontade de descer do carro e brigar com as pessoas, quando via alguém limpando as calçadas com água (água esta de alta qualidade, inclusive com flúor). Portanto, concordo plenamente com o seu texto. A questão que teríamos de resolver, é saber quem faria a fiscalização, pois o Departamento não tem função de polícia, por ser administração  indireta (autarquia); poderia ficar com a SMIC, quem sabe? Como a idéia foi sua, vou falar com a vereadora Maria Celeste para a mesa encaminhar um projeto com o conteúdo pensado.
Saudações,
Guilherme Barbosa

De forma, às vezes, até irresponsável, algumas pessoas com espaços nos meios de comunicação, destacam que os vereadores de Porto Alegre preocupam-se apenas em dar nome às ruas ou homenagear as mais variadas pessoas com títulos honoríficos.
Não é verdade, são vários os vereadores responsáveis.
Há muitos anos acompanho o trabalho dos vereadores e de Guilherme Barbosa, em particular, por termos um amigo comum, infelizmente, falecido, mas que era um entusiasta da dedicação do ex-dirigente do Dmae. É um vereador preocupado com a cidade e que honra os votos que vem recebendo nas eleições.
Agora, de acordo com o e-mail, a bola da vez está com a vereadora Maria Celeste, presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
Vamos aguardar.

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facpa! topaz?
da Redação

De Paris
A relação do Fã-Clube de Porto Alegre aumenta a cada dia e é composta por 90 por cento de exaltados admiradores que vivem em outros estados e países. Alguns continuam reclamando da carteirinha de sócio. É um problema que vamos resolver em breve, e, para isso, estamos buscando um empresário da área que veja no empreendimento um plus em seus negócios futuros. Ou será que fornecer as carteiras de sócio do FACPA não será uma oportunidade única e histórica de projeção mundial? Porque não se pode esquecer que os nossos informais associados estão nos cinco continentes.
Há alguns admiradores da capital gaúcha que tentam nos convencer a realizar no final do ano um grande evento de confraternização. Os que moram no Brasil e que tem por hábito visitar a cidade nos meses de verão, mesmo que por alguns dias, são os mais empolgados com o “I Encontro Anual do FACPA”.
É difícil.
Precisaríamos de um poderoso patrocinador. É difícil, mas não impossível.
Confiram essa.
Alfredo Octávio é um amigo de muitas décadas. Diz ser jornalista – e, na verdade, é formado em jornalismo –, mas é um porto-alegrense riquíssimo, cidadão do mundo que há muitos anos vive de extravagâncias, gastando o que acumulou sabe-se lá como. Viveu, por exemplo, em Bujumbura, capital do Burundi, onde ainda é amicíssimo do presidente, Pierre Nkurunziza, um ex-guerrilheiro da etnia hutu. Aliás, Alfredo diz que conheceu Pierre quando foi financiador dos idealistas e também atuou na guerrilha de libertação do país, mas não acredito nesta história.
Acreditem se quiser: ele afirma ter sido treinador do AS Rangers Football Club, de Bujumbura. E, mais, que teria sondado seu amigo Romário para jogar no time, quando além de treinador era o principal patrocinador.
Mesmo levando esta vida maluca, jamais perdemos o contato. Excêntrico ao extremo – se isto é possível – chegou a comprar uma mansão em Torres, no Litoral Norte do RS, apenas para debochar de antigos desafetos, que são forçados a veranear em outras praias gaúchas e encarar o que ele chama de “mar da cor do nescau”.
Alfredo Octávio tem mansões e triplex em todos os continentes. Prometeu que me levaria a Bujumbura, mas ficou apenas na promessa. Conheço apenas seu apartamento em frente ao Central Park, no edifício ao lado onde viveu John Lennon.
Mas vamos ao que interessa.
Recebo de Alfredo Octávio um e-mail bem ao seu estilo. Confira:

Ex-gordo, mas querido como sempre,
Sei que estou em falta contigo, mas estou de volta! Não consigo me desligar de ti.
Rápidas notícias: estou definitivamente em Paris, num novo e amplo apartamento na Avenue Foch. Mesmo sendo um endereço fora de modo ainda tem um ar sofisticado. Explico isso porque sei que você não conhece Paris, mas prometo que um dia lhe trago até aqui. E não me esqueci que lhe devo uma visita a Bujumbura.
Outro dia conheci o site sobre Porto Alegre. Bonzinho, mas não me deu saudade nenhuma dessa cidade. Primeiro porque me lembro da minha primeira esposa, a sua “amiga” Kristina Drummond, e o belíssimo apartamento que fui obrigado a dar a ela, em pela avenida 24 de Outubro, num dos mais tradicionais edifícios da nossa cidade.
Segundo, o que muito me irrita é a inveja dessa gente, como a Bicha Velha, cujo nome me esqueci mas soube que está trabalhando na TVE como apresentador – imagine em que ponto chegou a TV do Rio Grande do Sul!
Ex-gordinho,
Não tenho saudade da cidade, mas gostei de algumas informações que li. Está bem, senti uma pontinha de nostalgia, principalmente daquelas noites frias de inverno que nos esbaldávamos nos cabarés da avenida Farrapos.
Olha, estou pronto para ajudá-lo no que precisar, desde que não abuse dos meus euros. Diga que darei um jeito.
Beijos a todos
Alfredo Octávio, seu eterno amigo.

Vai que o nosso amigo milionário banca a infra da nossa entidade e patrocina o I Encontro Anual do FACPA?
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da Redação

Jardim Botânico
Se o dia estiver bonito, o Jardim Botânico é um agradável passeio, mesmo para aqueles que não são fanáticos pelo verde. Próximo ao centro da cidade, os 30 hectares da área foi aberto ao público em 1958 com a exposição das primeiras coleções de palmeiras e outras espécimes. A partir de 1974 foram criadas coleções botânicas de espécies organizadas por formações florestais, famílias botânicas e grupos temáticos. Atualmente, é considerado um dos cinco maiores jardins botânicos do Brasil, pela diversidade das coleções de plantas.
Na área está o Museu de Ciências Naturais, que dedica-se a pesquisa sobre a biodiversidade, incluindo a fauna e a flora e os ecossistemas terrestres e aquáticos.
Com três mil metros quadrados, tem laboratório, gabinetes, salas de exposições e de coleções científicas, com um acervo constituído por mais de 432 mil exemplares de animais e plantas.
No Viveiro, o Jardim Botânico produz mais de 120 espécies nativas, ornamentais e medicinais. Os preços variam de dois a quarenta reais.
O Jardim Botânico fica na rua Salvador França, 1427.
Para visitá-lo você pode optar pelas seguintes linhas:

- Ônibus Jardim Botânico - Linha 40
- Ônibus Petrópolis/PUC - Linha 476
- Ônibus Linha T2
- Ônibus Linha T11
- Lotação Jardim Botânico

 

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da Redação

Menino Deus
É um dos mais antigos bairros da cidade. Mesmo que todos que chegassem a Porto Alegre quisessem se instalar no Centro ou bem próximo dele, pela estrutura que tinha, tornou-se impossível. Em 1840 foram abertos dois caminhos onde hoje está, por exemplo, a avenida Getúlio Vargas, e já haviam algumas chácaras. Pela proximidade do Guaíba poderia atrair novos moradores. Era essa a esperança.
A devoção ao Menino Deus chegou com os açorianos. A Capela do Menino Deus, inaugurada em 1853, era um importante centro de peregrinação, principalmente nas festas natalinas, e atraíam moradores do centro e de outros bairros. Casas foram construídas ao redor da Capela e novas ruas - como a Botafogo, em 1858 – foram surgindo.
Além das festas de Natal, realizava-se também no jovem bairro a procissão dos navegantes, antes da construção da igreja da santa no bairro Navegantes. Quando a imagem da santa foi para a Igreja onde está até hoje, houve muita confusão e o descontentamento foi total.
A ligação do bairro com a Cidade Baixa e o Centro dava-se através da atual avenida Getúlio Vargas, que tinha seu início na ponte do Arroio Dilúvio, construída em 1850. As cheias do Dilúvio destruíram a ponte original em 1873 e as outras pontes construídas depois. Somente na década de 1940, com a canalização do arroio, o problema das enchentes no Menino Deus foi resolvido.
Hoje, o Menino Deus é um típico bairro de classe média que sofre com problemas de segurança, principalmente pela atuação do tráfico. De qualquer forma, tem uma infra-estrutura eficiente, o que não impede o lançamento de ousados projetos imobiliários.



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Jayme Copstein*

Radioteatro
Sessenta anos depois que começou para mim, como aventura, trinta anos após desaparecer dos microfones, as pessoas me perguntam o que foi o radioteatro. Difícil a resposta objetiva. Era uma espécie de cartola de mágico de onde tirávamos as ilusões que as pessoas necessitavam para preencher os vazios de suas vidas.
Anos ingênuos, aqueles. A Segunda Guerra caminhava para o fim, era para ser a última de todas as guerras e estávamos destinados, todos, a ser felizes para sempre. 
De fato, éramos. As lembranças atormentadas ficavam para trás, a imaginação supria, na medida das necessidades, as nossas carências de mundo. Porto Alegre, como o poeta Athos Damasceno Ferreira havia descrito, ainda era uma cidade de ruazinhas tortas, de portões, sacadas, telhados de beiral, com moças debruçadas nas janelas à espera do Príncipe Encantado.
Os rapazes, nem tanto. Na ponta do arco-íris, segurando o balde de ouro, sempre poderia estar um filha de fazendeiro bem a jeito. À noite, tudo era silêncio de deserto, quebrado apenas por passos perdidos, assobios solitários e vozes macias saindo do rádio: “Meu amor! Nada mais pode nos separar. Um dia olharemos para trás, sem amarguras. Todo o sofrimento terá desaparecido das nossas mentes. Lembraremos com ternura do quanto tivemos de lutar. É o que contaremos aos nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos”.
Na pensão onde eu morava, recém-chegado de Rio Grande, uma menininha, ainda mudando os dentes e colecionando estampas do sabonete Eucalol, tinha perguntas irrespondíveis: para onde iam os dias que passavam ou se quem falava no rádio era gente de verdade. Dona Rosa, a mãe, viúva jovem, entortando a coluna na máquina de costura para encaminhá-la na vida com honestidade, polemizava: “Pr’a dizer meu amor, só o Walter Ferreira. O Ernani Behs também fala gostoso, mas, para mim, ‘meu amor’, só o Walter”.
Para rir, havia as coisas do Dinarte Armando: “Menino, no curral tem 19 vacas e um touro. Quantas cabeças tem no curral?” – Dezenove, fessora! – “Menino, 19 mais um, 20!” – Não vai dizer, fessora, que no meio de tanta vaca o touro não perde a cabeça!
O mundo é um palco, somos todos personagens, cada qual com seu papel. Isto é Shakespeare com alguma adaptação. Logo descobri o papel de todos nós,  naquela fábrica de ilusões. Cabia-nos tanger um instrumento misterioso para que as pessoas construíssem um mundo dentro de si mesmas.
Bastavam alguns pássaros, a referência a alguma flor, ao seu aroma, e dona Rosa costureira emergia da coluna dobrada sobre a “Singer” comprada em prestações intermináveis, para mergulhar no jardim dos seus sonhos, onde ela e o marido ressuscitado, de mãos dadas, olhavam as meninas jogando amarelinha no tosco desenho do chão.
Reis, rainhas, heróis, marujos dos setes mares, piratas das Antilhas, exploradores do Curdistão bravio, a menininha, a costureira, qualquer um de nós éramos todos personagens saídos de Balzac, de Tolstoi, de Dostoiewsky, de Wilde.

* É jornalista e escritor, cronista do www.coletiva.net



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da Redação

Balada a bordo
Para quem gosta – e este é um espaço eclético, lá vai: a festa vai ter show acústico da banda WaiLua, com reggae, pop-rock e MPB, além das atrações do DJ Edgar Branco, do Afrika, que comanda as pistas. O grupo Pura Cadência toca pagode.
Barco Cisne Branco – saída na avenida Mauá, 1050
Informações 3224-5222 e 32242802

De 15 a 29 de abril - domingos, às 19 horas
Ingresso masculino 12 reais e feminino 10 reais



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Fernando Albrecht*

O trauma do careca
Leitora fiel nota que os homens ficam carecas com uma precocidade impressionante e pergunta onde foram parar os cabeludos de antigamente. Verdade, mas a dermatologia (ou a genética) devem explicar isso. Se é que não vão botar a culpa em algum vírus.
Faltou explicação, é vírus.
Nos anos 60, havia em Montenegro um cidadão chamado Egon.
Mal chegara aos 30 e já estava com o teto igual a bola de bilhar, o que o incomodava muito. E tratou de buscar a salvação da lavoura que se foi, primeiro com médicos especialistas, depois com curandeiros e ervas caseiras.
E nada de crescer um só fio de cabelo.
Virou idéia fixa. Só falava nisso em toda roda ou encontro social. Um dia estavam jantando a turma do Rotary ou Lions, algo assim, e o Egon a desfilar seu calvário capilar. Já tomei isso, já passei aquilo, nada. Quase chorava nestas ocasiões.
Aí o Jocely, tido como cientista na roda, entrou no assunto.
- Já experimentaste passar na careca sebo de capivara?
O prejudicado largou a faca e o garfo no prato. Quem sabe não estaria no capincho a sua salvação.
- Mas nasce cabelo mesmo?
Jocely fez suspense por vários minutos. Fez um sinal que estava com a boca cheia, deu mais uma garfada do carreteiro, tomou um longo gole de cerveja, olhou bem para a careca do Egon e suspirou.
- Olha, isso eu não sei. Mas dá um brilho...

* É colunista diário do Jornal do Comércio, apresentador da Band AM de Porto Alegre e do site www.fernandoalbrecht.com.br, onde foi publicada esta história.


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da Redação

Dança
A Anima Cia. de Dança fará três apresentações de seu mais recente espetáculo, intitulado “Na Quina do Tempo”. Trata-se ainda de um “work in process”, que tem direção de Eva Schul.
Será na Sala Álvaro Moreira, nos dias 20 e 21 de abril, às 21 horas, e dia 22 às 19 horas.
Com Aline Mello, Sofia Schul e Viviane Lencina.
Ingresso a 12 reais.

Atelier de Massas            
Gelson Radaelli, um gringo simpático, artista plástico, é o dono do Atelier de Massas. Fala com orgulho que vários empreendedores, principalmente de shoppings, tentaram tirá-lo do prédio que ocupa na rua Riachuelo, no centro da cidade. Mas todas as tentativas tornam-se inúteis. Não sai da agradável casa em que está desde 1992.
A melhor maneira de escolher uma das massas idealizadas por Radaelli é simples: pegue o cardápio, feche os olhos e aponte para qualquer um dos 37 pratos. Pronto! Você estará acertando. Enquanto aguarda, vá no balcão de antepastos. São mais de 100 itens. A berinjela recheada e os queijos são obrigatórios.
Funciona das 11 horas às 14h30min e das 19 horas às 23h30min.
Rua Riachuelo, 1482 – Reservas e entrega a domicílio pelo 3225 1125.


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da Redação

O Grão da Imagem
Anote na agenda: Vera Chaves Barcellos, artista plástica gaúcha, desde o fim dos anos 60, firmou sua posição entre os artistas conceituais do Brasil. Mas só agora ganha uma mostra reunindo 110 obras - produzidas em mais de 40 anos de trabalho.
A exposição não está organizada pelas técnicas empregadas pela artista e nem segue uma ordem cronológica. Vale, no entanto, eleger momentos marcantes da carreira artística de Vera Chaves Barcellos.
No Santander Cultural, na rua Sete de Setembro, 1028
Informações pelo 3287-5500
De sete de maio a 29 de julho - de segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado e domingo, das 11 às 19 horas.



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da Redação

Avenida Ganzo
A Ganzo sempre foi um ponto turístico de Porto Alegre, no bairro Menino Deus. Os próprios moradores cultivam com orgulho os jardins da avenida, tornando-a uma das belas vias do país. Até hoje é mantido o desenho original.
Por ali morou em uma chácara um dos mais admiráveis estrangeiros que adotou, por um bom tempo, Porto Alegre como sua cidade. Além de fundar a primeira empresa de telefonia automática, criou o primeiro zoológico de Porto Alegre.
Acompanhe a vida do coronel Ganzo.
Raras personalidades no mundo foram tão fascinantes como Juan Pedro Guillermo Maria de los Remedios Ganzo Fernandez, o coronel Ganzo. Ele nasceu em outubro de 1868 no povoado de Yaiza, na ilha de Lanzarote, uma das Canárias, arquipélago espanhol. A mãe era dona de uma fábrica de tintas e o pai morreu antes do seu nascimento.
Em 1882, quando tinha 14 anos, a família embarcou num navio e mudou-se para Montevidéu. Logo sua mãe abriu uma padaria e confeitaria que seria uma das maiores da cidade e adotou para sempre a nacionalidade uruguaia.
Montevidéu já tinha um serviço de telefones. Graham Bell havia registrado a patente da invenção em 1876. Interessado, Juan fingia ser funcionário da telefônica para entrar nas casas e abrir o aparelho, em busca de segredos.
Aos 17 anos, criou sua própria companhia de telefones em San José, a 100 quilômetros ao norte da capital uruguaia, estendendo suas redes em direção ao Brasil. Em 1899 suas linhas chegaram a Bagé, no RS, onde comprou também uma empresa local de telefones e energia. Ganzo veio definitivamente morar no Brasil em 1901, instalando-se em Bagé, na fronteira como Uruguai.
Em 1922, o coronel Ganzo instalou em Porto Alegre a primeira central telefônica automática da América do Sul, três semanas antes de Buenos Aires. A novidade só chegou a São Paulo em 1928 e ao Rio de Janeiro em 1929.
Em 1924, vendeu sua Companhia Telefônica Rio Grandense (CTR) a uma empresa americana para impedir que um sócio uruguaio em apuros tivesse prejuízo ao ter que vender apenas sua parte minoritária na empresa.
Com dinheiro e sem a empresa, Ganzo tratou de investir em outras coisas. Morava numa chácara no Menino Deus, mais ou menos onde hoje está a avenida com seu nome. Levou para lá animais exóticos, por puro prazer. Leões, camelos e outros bichos atraíram a curiosidade dos vizinhos. Ganzo resolveu ganhar um dinheiro: cobrava ingresso.
Nessa época, encontrou em Buenos Aires um amigo e foi assistir a um leilão no porto. Acabou comprando um grande barco de passageiros. Passou a explorar uma linha regular entre Montevidéu e Buenos Aires.
Historinha: Em 1912, enviou o filho mais velho, Juan Carlos, para terminar o curso de engenharia na Europa. O rapaz estava na Alemanha quando estourou a Primeira Guerra Mundial, mudando-se para a Suíça. Pelas agruras da guerra, os cigarros valiam ouro. Juan Carlos vivia com o contrabando de cigarros enviados pelo pai, enrolados em jornais brasileiros, via correio.
Outra história: Em 1936, juntamente com outros sete sócios brasileiros, argentinos e uruguaios fundou a refinaria de petróleo Ipiranga, em Rio Grande. Deixou a sociedade em 1938, quando um decreto de Getúlio Vargas proibiu que empresas de petróleo tivessem estrangeiros como sócios. Mesmo tendo filhos nascidos no Brasil, preferiu vender sua parte, em solidariedade aos sócios argentinos e uruguaios.
A professora Doris Fagundes Haussen conta em Memórias das profissões e da mídia regional: trajetória do Rádio que “dos pioneiros da radiodifusão gaúcha convém destacar o papel desempenhado pelo coronel Ganzo, que trouxe a idéia da radiodifusão para o RS, inspirado em suas viagens a Europa e à Argentina, onde também se desenvolviam experiências. Também o seu filho, Edison Ganzo, veio a participar da criação da pioneira Rádio Sociedade Rio-Grandense e da Rádio Sociedade Gaúcha.
Ganzo era uma empreendedor insaciável.
Em 1920, não havia um sistema de telefones integrado em Santa Catarina. Florianópolis e Joinville tinham dois sistemas locais próprios. A empresa Triks & Elkhe tinha a concessão do serviço da capital desde 1907, por um prazo de 20 anos. Quando terminou o prazo, o governador Adolfo Konder, irmão do então ministro da Viação e Obras Públicas, Víctor Konder, resolveu ousar. Adolfo conhecia pessoalmente Juan Ganzo e sabia que o coronel, com 59 anos, havia vendido sua empresa telefônica no RS para os americanos. Tinha que tentar levá-lo.
O governador convidou o coronel para mudar-se para Florianópolis e construir a primeira companhia telefônica nacional. Ganzo aceitou o desafio e enviou o filho Juan Carlos para dar início a uma nova empresa. Em 1930 mudou-se para a ilha e oito anos depois transformaria a empresa numa sociedade anônima chamada Companhia Telefônica Catarinense. Em 1969 foi estatizada como Cotesc, precursora da Telesc.
Juan Ganzo Fernandez morreu aos 88 anos, em Florianópolis, em dois de abril de 1957.

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Clábio Gomes*
Camarão à italiana

Ingredientes:
1 kg de camarões médios inteiros
6 colheres (sopa) de azeite de oliva
4 tomates, sem pele e sem sementes, picados
250 g de mussarela de búfala cortada em cubos
Manjericão e sal a gosto

Preparo:
Descasque os camarões e prepare com as cascas e as cabeças um caldo.
Limpe os camarões, retirando o fio negro do dorso com a ajuda de um palito.
Em uma panela, aqueça o azeite e refogue levemente os camarões. Retire-os e reserve.
No mesmo azeite, adicione os tomates e refogue-os por cerca de 15 minutos. Adicione 1 concha do caldo de camarão preparado e acerte o sal.
Junte novamente o camarão e cozinhe por mais 6 minutos. Adicione a mussarela e o manjericão, retire do fogo e sirva com arroz branco.
Caldo de Camarão
Coloque em uma panela as cascas e as cabeças do camarão lavadas.
Cubra com água, leve ao fogo e cozinhe por 20 minutos. Durante o cozimento, retire a espuma que se formar sobre a superfície. Em seguida, retire do fogo e coe.
Esta é uma forma de acentuar o sabor do camarão nos pratos.
Rendimento – 4 porções
Preparo: 40 minutos

* É Chef de Cuisine – clabio@terra.com.br


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da Redação

Desafio do Grenal
Mesmo com o grande sucesso que fazia em todo o Brasil, nos países vizinhos e em Portugal, onde era ídolo, Teixeirinha, em vida, jamais foi levado a sério pela chamada crítica e por setores da sociedade com pretensões intelectuais. Ele não dava bola, fazia seus LPs e os filmes eram sucesso absoluto.
Há pouco mais de 10 anos, Vitor Mateus Teixeira foi “descoberto” e seus filmes tornaram-se cult e várias músicas passaram a emocionar aqueles que torciam o nariz para suas composições. É o caso de Querência Amada, um hino informal do RS.
No LP Raízes do Pampa – Volume 2 Teixeirinha canta Querência Amada, com Mary Terezinha. E a quinta faixa é Desafio do Grenal.
Ouça.


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