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Um tiro no próprio pé!
José Luiz Prévidi

Gosto muito de Porto Alegre.
Mas tenho falhas imensas em relação a ela. Conheci, por exemplo, apenas no início deste ano as ruas da Vila IAPI. Lá está o Largo Elis Regina, na confluência das ruas Rio Pardo, Tupaciretã e Novo Hamburgo. Decepciona porque é uma tímida homenagem a maior cantora do Brasil. É quase em frente ao prédio onde Elis viveu dos cinco aos 18 anos, antes de ir para o Rio de Janeiro.
E o Morro São Caetano? Confesso que também não conheço.
Recebi umas fotos do Ricardo Stricher, competente repórter-fotográfico apaixonado pela cidade, do Morro São Caetano. Lindíssimas e que ilustram este espaço. Fiquei intrigado com o tal Morro. Alguns dias depois, vi na frente de uma lotação: “Medianeira/Morro São Caetano”. Fiquei com vontade de entrar, mas não podia. Ainda vou entrar num desses.
Li que um dos mais ilustres moradores foi o escultor Vasco Prado, que lá construiu a sua casa/atelier em 1985. Morreu em 98.
“Aos 14 anos cheguei a Porto Alegre e nunca mais saí. Gosto de Porto Alegre. É a minha cidade. Sempre trabalhei aqui. O Morro São Caetano, porém, é uma descoberta recente. Antigamente, aquele espaço era campo. Era o que se chamava ‘fora da cidade’. Foi o crescimento urbano – a exploração imobiliária, o desenvolvimento de lotes e bairros residenciais – que aproximou o lugar. Eu nunca tinha ouvido falar do morro antes de 1985 ou 1986, quando fui morar perto do Hospital Espírita. O Morro São Caetano fica ainda além. É um dos pontos mais altos de Porto Alegre. O ponto mais alto em que se pode construir. Lá, estou erguendo o meu novo ateliê”, disse ele ao repórter Eduardo Veras, da Zero Hora, em abril de 94.
O Morro São Caetano está a 240 metros acima do nível do mar.

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facpa! topaz?
da Redação

Mais uma – outra? – Porto Alegre
Neste espaço, vocês já conheceram Porto Alegre do Norte, Porto Alegre do Tocantins e até mesmo uma cidade com nome parecido, Pouso Alegre, que muita gente, por incrível que pareça, confunde com a capital gaúcha. Ah, não conferiu? Basta clicar, entre as seções, o “leia os textos anteriores”.
É possível mais uma? Sim, é.
Porto Alegre do Piauí existe!! Está a 420 quilômetros ao Sul de Teresina e dentro da área que se chama “Polígono das Secas”.
É uma cidade pequena. A população estimada em 2004 era de 2 520 habitantes. Possui uma área de 1160,4 km². O prefeito chama-se Márcio Neiva Martins e o vice Manoel Tunda da Silva. São do PMDB. E Márcio elegeu-se com quatro votos a mais queo seu principal opositor.
Em agosto do ano passado, as vésperas da eleição, muitos investimentos na cidade. Por exemplo, as populações de Porto Alegre do Piauí e de Marcos Parente ganharam asfalto em 46 km da rodovia PI-372. Também 143 famílias tiveram melhorias de suas casas.
A Estação de Piscicultura Dourival Guimarães, inaugurada em 2004, recebeu investimentos de R$ 123 mil para beneficiar diretamente 567 famílias. Com a produção de alevinos na Estação, a meta é o povoamento permanente do Lago da Barragem Boa Esperança que se estende do município de Guadalupe até POA do Piauí.
Foi inaugurada também a Praça Pública Luciano Neiva (Será parente do prefeito?). Nela, foram investidos R$ 310 mil. No site do Governo do Piauí explicam que o nome da praça é uma homenagem ao jovem Luciano Neiva que morreu em acidente de trânsito aos 24 anos.
Ainda, no município, foi instalado o Projeto Sabiá, que trabalha com crianças e adolescentes. Aprendem a tocar instrumentos musicais, a dançar e a representar. O Projeto Sabiá foi idealizado pela coordenadoria do programa Fome Zero.
É o progresso chegando a Porto Alegre do Piauí!
Um jogo de futebol está sendo muito aguardado na cidade. Na coluna De Uruçuí, de Jackson Coelho, está a informação: “O time do empresário Zé Humberto, o Uruçuí, que fez sua primeira partida há poucos dias pelo campeonato uruçuiense de futebol, ganhando a partida por 6 a 0, irá jogar próximo dia 04 de agosto na cidade de Porto Alegre do Piauí, a partida fará parte das festividades de comemoração do aniversario da cidade. O time do Uruçuí conta hoje com 5 jogadores da atual seleção que esta participando da Copa Piauí”.
As principais minas do Piauí são as de mármore, em Pio IX; calcário para cimento, em Fronteiras; e calcário para uso agrícola, em Porto Alegre do Piauí e outros municípios.
A população se diverte na área do Lago de Boa Esperança, integrado a um complexo turístico com quadra de esportes, campo de futebol, playground e churrasqueiras, numa área de 35 mil metros quadrados.
Nas fotos, a Estação de Piscicultura e uma roça comunitária.

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histórias da rua da praia!
da Redação

Museu do Esporte
É o mais novo ponto turístico da capital gaúcha.
O jornalista e vereador de Porto Alegre, João Bosco Vaz, se dedicou a montar o acervo que está no Museu, aberto para visitação das 10 às 24 horas.
São mais de 300 peças entre chuteiras, camisas, calções, medalhas, troféus e objetos dos principais ídolos do esporte mundial.
Desde a camisa do Pelé autografada, passando por luvas de Eder Jofre e Popó, malha da Daiane dos Santos, chuteira do Robinho, camisetão autografado do Rubinho Barrichello e muito, muito mais. Uma visita inesquecível.
O Bar Temático funciona das 19 às 24 horas, com happy hour e música ao vivo. O ingresso é de seis reais com direito a visita ao Museu (ingresso para estudantes e terceira idade, três reais).
 O Museu do Esporte está na avenida Cristovão Colombo, 545, no prédio do Shoppinh Total, bairro Floresta. Contatos pelo 51 3018.7765, 3018.8765 ou contato@museudoesporte.esp.br.

 

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da Redação

Glória
A impressão que se tem é que toda cidade, de média para grande, tem um bairro Glória. Pelos mais variados motivos.
Porto Alegre não é diferente.
O nosso bairro Glória nasceu Arraial da Glória no final do século XIX. Foi uma iniciativa da família Silveira Nunes, que doou à Prefeitura um terreno para ser aberta uma rua de ligação entre duas estradas paralelas, hoje as avenidas Carlos Barbosa e Oscar Pereira. É a rua Nunes foi o início de um novo bairro.
Por que Glória? Alguns afirmam que é por causa da dona Maria da Glória, esposa do coronel Manoel Py, o proprietário de um sobrado que servia como referência. Mas há controvérsias. O jornalista e historiador Sérgio da Costa Franco aposta que o nome foi dado por Luiz da Silveira Nunes, em 1890, uma homenagem à “gloriosa” Proclamação da República.
Mas, o único caminho existente era a Estrada de Belém - que ligava Porto Alegre a Belém Velho, depois chamada de Estrada da Cascata, e hoje é a  avenida Professor Oscar Pereira.
A venda de terrenos por parte da família Silveira Nunes e a conseqüente abertura de novas ruas viabilizaram o bairro. Também contribuiu a inauguração da linha de bondes Glória, em 1896.
Nessa época, o coronel Manoel Py - que havia comprado terras dos Nunes e iniciado um loteamento - participava da diretoria da Companhia Carris, o que facilitou a implantação da linha férrea.
Mas a Glória começou a crescer mesmo em 1935 quando foi iniciado o abastecimento de água.
Entre 1893 e 1894, em uma área reservada por Luiz da Silveira Nunes, foi construída uma pequena capela que seria substituída, em 1915, pela Igreja de Nossa Senhora da Glória. Lá está também o Morro da Polícia, com 350 metros de altitude, que não é explorado turisticamente.

Na primeira foto, o Santuário Nossa Senhora Mãe de Deus, no alto do Morro da Glória, bairro Glória, na subida da Rua Oscar Pereira.
Na outra foto, do século XIX, a avenida Professor Oscar Pereira.


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Jayme Copstein *


Boemia antiga
Desde o dia em que Caim sentou uma porretada na cabeça de Abel (suponho, a Bíblia não é muito explícita a respeito), o ser humano começou a ter necessidade do sonho para fugir da crueza da vida.
Então inventou os bares, aonde a gente vai pra jogar conversa fora, incluindo a vã filosofia salvadora do mundo, apesar da robusta certeza de que o mundo não se perderá tão cedo.
Mas é preciso coragem para só se pensar na vida e não na morte, para que a fumaça do bar não vire nevoeiro e as nossas fantasias não se transformem em fantasmas, quando não em assombrações. Ao contrário do que as pessoas práticas dizem, é preciso ter os pés muito bem plantados no chão para se poder sonhar.
Tito Tajes (já se mandou do mundo) e eu, plantões do velho Correio do Povo, saíamos para os bares da madrugada, no tempo em que isso era apenas aventura e não temeridade. Em poucas horas, fundávamos impérios jornalísticos, fazíamos megafortunas, enriquecíamos todas as mulheres – as bonitas, por mérito, as feias, por caridade.
Falíamos ao amanhecer, quando íamos curtir o porre nos braços das bem-amadas, as que, afora cuidar dos filhos, discutiam vinténs com o quitandeiro para fazer o milagre diário de multiplicar o parco (acho que porco, também) fim de mês. 
Que seria do mundo sem a fantasia?
Mero entrechocar de Bushes e Bin-Ladens.
Decididamente, não me serviria.

* Jayme Copstein é jornalista e radialista, cronista do www.coletiva.net


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da Redação

Festa Flex
Para quem gosta, confira mais no site www.festaflex.zip.net:
A Festa Flex é uma proposta diferente na noite GLBTS da capital gaúcha. Um novo conceito de diversão que combina boa música, cerveja gelada e shows de primeira. Espetáculos de humor, dublagens, strippers e concursos. E os artistas iniciantes também utilizam o pocket-palco da casa como vitrine para mostrarem ao público porque são considerados novos talentos.
A Festa Flex é um evento acessível a todos os gostos (e bolsos), “de meninos e meninas, gays ou simpatizantes”.
Todos os sábados, a partir das 22 horas, na rua Comendador Coruja, 199 – quase esquina com Farrapos. O valor da entrada é R$ 3,00 e todos os drinks (cerveja, caipirinha, refri, dose de whiski, etc.) também são vendidos pelo mesmo preço.
A diversão por conta da performance da drag uruguaia Nina Rios e suas “animadas meninas”. 
Reservas e informações também pelo 9269 2085 com Renato ou 9821 4755 com João Luis.


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Fernando Albrecht*

O amigo de Getúlio
Se irmão de presidente pode assoprar algumas dicas para o presidente ou não, depende, assim como depende de amigo do peito influir em decisões governamentais. Lembra um freqüentador do restaurante Dona Maria, o falecido Renato Mottola - havia dois com esse nome, um era líder da maçonaria, mas não é deste Renato que hablo.
O nosso Renato era conhecido como sendo, digamos, algo exagerado no relato das suas façanhas. Quando ele vinha à Mesa Um a gente dizia: lá vem história.
Dia desses, falava-se de Getúlio Vargas quando ele disse que Gegê não tomava decisão importante na área econômica sem consultá-lo antes, que era amigão dele e coisa e tal. Contou que certa vez o presidente mandara um avião especialmente para levá-lo a uma reunião ministerial no Rio de Janeiro.
Claro que ninguém acreditou.
Passaram-se algumas semanas e um dia adentrou o recinto um cidadão de cabelos brancos. Ao chegar no altar de Baco e ver Renato, cumprimentou-o efusivamente e vice-versa. Sentou na mesa e se apresentou como comandante aposentado e ex-piloto de confiança de Getúlio Vargas. Aí se virou para a Mesa Um.
- Certa vez o Mottola me fez fazer hora extra.
Lá vinha bomba.
O comandante tomou um copo de cerveja, enxugou a boca e seguiu.
- Pois é. Havia uma reunião programada do ministério e na noite anterior o doutor Getúlio me chamou. "Vai a Porto Alegre e traz de lá o Renato Mottola". E eu tive que decolar na maior pressa, porque o presidente fazia questão da presença dele na reunião.
Silêncio en la noche.
Pois não é que desta vez o cara não estava de gabolice?

* É colunista diário do Jornal do Comércio, apresentador da Band AM de Porto Alegre e do site www.fernandoalbrecht.com.br, onde foi publicada esta história.


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da Redação

Club do Comércio
O prédio do Club (assim mesmo, sem o "e" final) do Comércio na rua da Praia, que alguns teimam em chamá-la de rua dos Andradas, está sendo restaurado. É o mais tradicional clube da cidade. O Projeto Monumenta, que coordena e financia os trabalhos em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre, está buscando junto à comunidade gaúcha imagens – fotografias, desenhos, pinturas – do interior do prédio.
Essas imagens, que vão subsidiar e qualificar os trabalhos de restauro, podem ser apresentadas na sede do Projeto Monumenta, salas 56 e 58 no segundo andar do Mercado Público, no largo Glênio Peres, pelo telefone (51) 3221 8373 ou pelo monumenta@spm.prefpoa.com.br.

 

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da Redação

Agosto na Casa de Cultura
Eventos gratuitos na Casa de Cultura Mario Quintana – rua da Praia (Andradas), 736.
Prédio em estilo barroco, construído no início do século passado e onde funcionou o Hotel Majestic. Lá morou o poeta Mario Quintana. Restaurado em 1980, passou a abrigar um dos mais completos centros de cultura do Brasil.

1 a 31
Exposição de livros sobre o “Dia Mundial da Fotografia” – a Arte da Fotografia
Biblioteca Erico Veríssimo - 3º andar.
Das 9h às 18h

1 a 31
Exposição de livros sobre o “Dia Mundial do Folclore” – O Folclore no Brasil
Biblioteca Erico Veríssimo - 3º andar.
Das 9h às 18h

2
Workshop de Produção com Fernando Bohrer (Como Gravar seu primeiro CD)
Sala C3, 3º andar
19h30min

9
Sarau aberto Teia de Poesia
Tema: ATROCADUCAPACAUSTIFELIFEROFLUGUISTORI
(Sarau de Poesia Sonora)
Acervo Mario Quintana – Mezanino
19h às 21h30min

11
Projeção do Filme “Filhos do Paraíso” seguido de debate
Sala Eduardo Hirtz - térreo
9h30

15
Bate Papo na Casa – Tema: Alistamento Militar
Teatro Carlos Carvalho - 2º andar.
14h às 15h

15
Apresentação do vídeo “Amigos”, com Chitãozinho e Xororó, Leandro, Zezé de Camargo, Luciano e Leonardo
Espaço Lupicínio Rodrigues - 4º andar.
14h

15
Seresta na Casa “Noites Brasileiras”
Acervo Mario quintana – Mezanino.
19h

22
Apresentação do Vídeo “The four Seasons”
Espaço Lupicínio Rodrigues - 4º andar.
14h

29
Apresentação do Vídeo “O Cordel do fogo encantado”
Espaço Lupicínio Rodrigues - 4º andar.
14h



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Norberto Goulart Peres*

Luiz Afonso
O nome é Luiz Afonso. Não sei bem quem foi o gajo, em todo caso, na esquina com a Rua João Alfredo existe uma placa onde consta um breve esclarecimento a respeito. Foi um vereador da cidade, mas não importa! O que vale é o significado dos quatro quarteirões que se estendem da João Pessoa até a Baronesa do Gravataí, numa perspectiva muito pessoal, muito particular, que nem todos, por certo mantém, em relação à rua onde nasceram, ou passaram boa parte da infância.
Em todo caso, quem teve o privilégio de morar no bairro Cidade Baixa, durante os anos 70, talvez se identifique com este "passeio" histórico, um autêntico "city tour" retrospectivo. Vamos lá!
O ponto de partida é a "velha Pira da Pátria", bem defronte a Luiz Afonso. Ali ardia a chama cívica na primeira semana de setembro. Aliás, os desfiles eram ali mesmo, na avenida João Pessoa. Para entrar na rua Luiz Afonso era bem mais simples, pois não havia corredor de ônibus. Logo à direita, e se mantém até hoje, o Quartel do Exército exibindo a famosa frase em latim: Si vis pacem para bellum – Se queres a paz, prepara-te para a guerra.
Chegando à esquina da Lima e Silva, se podia avistar, à direita, o prédio da Cooban (Cooperativa dos Bancários), um imponente supermercado, onde hoje existe uma loja do Zaffari. A Cooban foi um dos primeiros supermercados de Porto Alegre, onde se fazia o tradicional "rancho" mensal... descontado em folha, naturalmente, para quem era sócio.
À esquerda, na mesma Lima e Silva, onde hoje ficam os bares e cinema do Olaria, existia a Cienal, uma revendedora de automóveis da marca Dodge.
No quarteirão seguinte, ainda à direita, até bem pouco havia uma fábrica de fita isolante, muito antiga (imaginem o prédio!)...e aí chega a José do Patrocínio, ou Rua da Concórdia, como queiram. Confesso que "rua da Concórdia" não é do meu tempo; em todo caso, havia uma loja de armarinhos, botões, linhas, coisas de costura, bem na esquina: os donos eram dois velhinhos, de origem judaica. Defronte a loja ficava o Armazém do Seu Carlinhos, muito requisitado para as pequenas compras do dia-a-dia.
E nas outras duas esquinas?
Bem, à esquerda, antes de cruzar a José do Patrocínio, ficava a agência da Caixa Econômica Federal e, à direita, a tabacaria do Nelsinho,  filho do seu Nelson, dono de uma relojoaria poucos prédios depois, na José do Patrocínio, porém na outra calçada.
O penúltimo quarteirão é o que mais me toca: são tantos endereços que foram meus, tão familiares: no número 485, a casa ainda existe, foi reformada, eu morei perto dos três, quatro anos de idade. Defronte, um conjunto de velhas casas que eram alugadas para estudantes da Faculdade Federal. O dono era o velho Menegotto, grande figura, gostava de passear pela rua, provocando os cachorros da vizinhança, nos portões, com a bengala, mas sempre carinhoso com as crianças. Depois de muitos anos fiquei sabendo que o Sr. Menegotto era o avô do Professor Menegotto, uma dos caras que mais sabe da Língua Portuguesa neste país.
Vamos adiante: ainda existe a casa do Dr. Roberto Marroni, já falecido: quem, na infância, não foi examinado pelo Dr.Marroni? Muitos, com certeza! Quase ao lado a casa da "Vevéia". Do lado direito, no meio do quarteirão, morava uma vendedora de sapatos, o "Gaguinho", o Enzo, o amigo Rafael, vizinho da Denise Zaffari (não sei do parentesco com os donos do súper).
Na casa ao lado uma referência no bairro: o bar do Seu Figueiró, onde se podia comprar refrigerantes, balas de banana e outras guloseimas. Dali pra frente todos eram conhecidos: o Seu Castilhos, pai do Rogério, onde hoje é a Academia Marras, o Seu Dubois, a Rosaura e o seu inconfundível "e curtíssimo" shortinho. Ela usava uns tamancos que anunciavam de longe aquela presença tão admirada pelos "guris" da rua. Ahhhhh! O Seu Vinícius, Dona Carmelita, pais do Júnior, o Eduardinho, neto da Dona Amélia, a Dona Alda, que mexia com todos os que passavam: era a mãe do Luis (morreu jovem num acidente de carro no Cristal, uma estupidez!)
No número 598 havia uma casa antiga, azul, com pátio enorme, parreira, garagem, a peça onde ficava a churrasqueira, lá no fundo. Era a casa do Seu Dirceu Braz Goulart, meu avô materno, onde nasci, me criei, morei... um verdadeiro "paraíso" de infância. Um lugar para que uma criança se tornasse apaixonada por cachorros: lá havia três, e dos grandes: o Olds, o Lobo e o Conde, pastores alemães.
Ao lado da casa dos meus avós, num prédio de três andares, ainda mora o Dr. Paulo Elgues, marido da Dona Tida e pai do Paulinho, da Maria do Carmo, Teresa, foram os meus contemporâneos. Cheguei a morar num dos apartamentos do segundo andar, uma época. Ali na vizinhança o Seu Luis, muito dedicado à esposa, costureira, acordava cedo e levava café na cama para a mulher. Isso no tempo em que o café era passado naquela espécie de funil de pano (os mais velhos lembram!): o seu Luis contava a todos de forma inocente: "hoje levantei cedo, lavei o saco (de passar café) dei café pra Palmira!!!!".
O último sobrado na calçada da direita, antes da João Alfredo era a casa da Dona Marina. O marido dela, um homem doente, vez por outra surgia na sacada com ar de Frankenstein, aliás, ele parecia muito com o Boris Karloff, o ator americano que encarnava o personagem do filme de terror. Semelhança que acabou em tragédia: Dona Marina sofreu um ataque cardíaco e faleceu. Uma semana depois os vizinhos sentiram um forte odor de podre e chamaram a polícia: a porta foi arrombada e lá estava o marido em volta da cama, velando o que julgava ser sono passageiro, mas na verdade, tratava-se de "sono eterno": um horror!
No número 634, a casa ainda existe, morava o meu avô paterno, Norberto Lacassagne Peres, já falecido. Durante alguns anos, ali morou Glênio Peres, ex-vice-prefeito e vereador de Porto Alegre; o homem que deu o nome ao Largo do Mercado Público: meu tio e padrinho de batismo.
E a rua terminava com alguns moradores que marcaram época: Dona Natividade, excelente cozinheira que fornecia viandas para famílias do bairro, Dona Maria Dreyer, recentemente falecida e a Dona Alzira, uma doceira que morava no terreno da esquina com a João Alfredo, onde havia (e ainda há) um estacionamento para veículos.
Dali para baixo, nos velhos tempos, pouca gente se aventurava, até porque a região da Baronesa era famosa pelas turmas "da pesada", das arruaças, malandragem, conflitos juvenis e prostituição (muita prostituição!). Mesmo assim, passando por lá, hoje em dia, dá saudade!
E pensar que a velha João Alfredo foi palco de desfiles de carnaval, não é incrível?
Coisas da velha Porto Alegre que nós recordamos: Porto Alegre que ERA assim!

(Nota do Editor: O Norberto não comentou sobre a maravilhosa Marlene, que morava num apartamento térreo, "ao lado da casa dos meus avós, num prédio de três andares", onde ele também viveu. Lindíssima a Marlene e sonho de todo adolescente da Luiz Afonso. É, creio que ele era muito criança no auge da Musa da Luiz Afonso).

* É jornalista e radialista. Trabalha em assessoria de imprensa.

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Clábio Gomes*

Fraldinha com Salada Mista e Cebola Grelhada

Ingredientes:

1 peça de fraldinha pesando aproximadamente 1kg
1kg de lingüiça calabresa fresca, em gomos
1 cebola grande, inteira, com casca
½ colher de café de sal refinado
Salada
2 pepinos crus
½ pé de alface americana
½ maço de cenourinhas aperitivo
Molho da Salada
2/3 de xícara de chá de creme de leite
2 colheres de sopa bem cheias de mostarda em pasta
1 colher de sobremesa de vinagre de vinho branco
1 colher de café de sal refinado

Preparo:

Normalmente a fraldinha é um corte que você compra maturado, em embalagem especial nas grandes redes de supermercados ou nas butiques de carne.
Já vem limpa e é só temperá-la com o sal refinado, esfregando bem em ambos os lados da peça. Não tire a faixa de gordura que guarnece uma das pontas da peça, pois é ela que, ao derreter, vai infiltrar-se pelo tecido da carne e dar mais sabor ao assado.
Enquanto você prepara a fraldinha, ponha as lingüiças para irem assando sozinhas.
Acelere o cozimento da cebola deixando-a por três minutos no microondas.
Ela vai estourar e ficar praticamente desidratada. Ponha na grelha para terminar de cozer.
As lingüiças já estarão em processo adiantado de cozimento e está na hora de colocar a carne na grelha.
Ajeite a peça entre as lingüiças e marque no relógio: em 15 minutos a fraldinha estará “no ponto”. Douradinha por fora e rosada, macia e suculenta por dentro.
Nessa altura do campeonato a salada também já deverá estar pronta, mesmo porque é facílima de preparar: descasque os pepinos, corte e fatie no sentido do comprimento.
Corte a alface americana em tirinhas bem finas (Juliana).
Arrume tudo numa travessa: as tiras de pepino, a alface fatiada e as cenourinhas cruas, ao lado de uma molheira feita com todos os ingredientes batidos no liquidificador.
Retire a cebola da grelha, descasque, “desfolhe” como se fosse um repolho, arrume num prato e polvilhe com uma pitada de sal, orégano, azeite de oliva e pimenta-do-reino moída na hora.
Rendimento – 6 porções

* É Chef de Cuisine – clabio@terra.com.br


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da Redação

Frank Solari
Para quem ainda não ouviu.
Porto Alegre faz parte do segundo CD de Frank Solari, O Círculo Mágico, lançado em 1998. Nascido na cidade em 1972, Frank é formado em piano clássico e teoria musical pela UFRGS. No entanto, aprendeu sozinho o seu principal instrumento de trabalho, a guitarra, e hoje é considerado um dos maiores instrumentistas do país.
Escute aqui a bela música Porto Alegre.


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