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Foi uma votação empolgante
José Luiz Prévidi

Atenção!
Esta é uma edição resumida da 2ª edição do jornal Porto Alegre é Assim!.
Mesmo assim, o leitor tem uma boa ideia do que foi a edição.
Boa leitura e sabireie as fotos!!

Um exemplo emblemático de homenagem descabida está na página 5 desta edição. Bajuladores de plantão decidiram, no século 19, mudar o nome da primeira via de Porto Alegre. A rua da Praia tornou-se uma homenagem aos irmãos Andrada, um bando golpista e autoritário. Aí, o porto-alegrense foi obrigado a falar “rua dos Andradas”.
O mais incrível é que os vereadores que ocuparam o cargo depois dos puxa-sacos do século 19 jamais tentaram dar um fim a este absurdo. Pelo contrário, continuaram com as homenagens fajutas.
O jornalista Antônio Goulart, no livro Porto Alegre é Assim!, escreveu um texto admirável sobre essas trocas absurdas de nomes. Escreve ele:
“Sabem como era chamado o beco ‘mais encantador da cidade’, segundo um cronista do século 19? Beco Ajuda-me a Viver. E não se tratava de um pedido de socorro. Ficava ao lado do Beco dos Coqueiros, nas proximidades da Rua da Margem (hoje João Alfredo), contemporâneo, entre outros, do Beco do Vintém, Beco da Marcela, Beco do Céu e do Beco do Curral das Éguas.”
A atual Barão do Amazonas, antes de 1936, chamava-se Rua Esmeralda. A tradicional Praça 15 de Novembro era conhecida como Largo do Paraíso.
Os vereadores sempre foram fãs de militares e “heróis”.
Mais? Então leia o que o Goulart conta:
“Rua Clara (João Manoel), Rua da Alegria (Gen. Vitorino), Rua do Arvoredo (Fernando Machado), Rua Formosa (Duque de Caxias), Rua da Varzinha (Demétrio Ribeiro), Rua de Belas (Gen. Auto), Rua da Concórdia (José do Patrocínio), Travessa do Paraíso (José Montauri), Rua do Imperador (República), Chácara da Harmonia (Luiz Afonso/Alberto Torres)”.

 
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facpa! topaz?
Alexandre Schossler*

A rua da República, circa 1997
Como a maioria dos porto-alegrenses, não sou de Porto Alegre. Sou do interior, onde passei a infância e que deixei adolescente para estudar computação na Ufrgs. Isso foi em 1991. Fiquei 15 anos na cidade, passando por várias repúblicas estudantis, uma casa do estudante – a da João Pessoa – e, por fim, pelo lugar que mais marcou: a Rua da República.
Minha tia pegou o dinheiro do FGTS em 1997 e comprou um apartamento na esquina com a João Alfredo, ali onde o povo chama de Areal da Baronesa. Nós, os sobrinhos que estudavam na Capital, fomos morar lá, faceiros da vida. Em finais do século passado, o Areal da Baronesa – como de resto toda a Rua da República – era um lugar bem calmo. De dia e de noite.

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Lembro que íamos almoçar baratinho no Kalu e no Tudo Pelo Social, onde também comiam os empregados do comércio e das repartições públicas da região. Para beber uma cerveja tinha o Bar do Antônio, do lado de um supermercado, ou o Café Antártico, por muito tempo único naqueles lados. Revistas e jornais era na Banca da República. Sorvete de iogurte com a namorada era na sorveteria Jóia. E para comprar Coca-Cola e afins nos finais de semana tinha a Tabacaria República, de propriedade de uns irmãos uruguaios.
Quando esses irmãos uruguaios resolveram subir na vida e transformar a tabacaria num bar, nenhum vizinho desconfiou que aquele era o início de uma nova era nas imediações do Areal da Baronesa. O Ossip, nos seus primeiros meses, era um bar normal, meio café até, quase sempre vazio, que ficava na Cidade Baixa mas poderia também ficar em Montevidéu, Praga ou Bonn. Um lugar bacana, com cerveja uruguaia, pizza à francesa e torta de sorvete. E – o melhor – ficava na esquina de casa.
Isso durou até 1999, 2000, por aí. De repente, esse bar na esquina de casa entrou na moda, de onde nunca mais saiu, e lotou, principalmente do lado de fora. As pessoas começaram a tomar cerveja na rua, dezenas de outros bares surgiram em tudo quanto é canto. Acho até que toda a João Alfredo, entre a Luiz Afonso e a Travessa do Carmo, virou um bar atrás do outro. Quando deixei Porto Alegre, nos finais de 2005, o Areal da Baronesa podia ser tudo, menos um lugar calmo. Estava mais do que na hora de cair fora.
Volta e meia algum brasileiro que passa aqui pela Deutsche Welle quer saber de nós se temos saudades do Brasil. Não tenho saudades de Porto Alegre. Tenho lembranças. Da Rua da República daquele final de século, quase que exclusivamente boas. Saudade é uma palavra reservada para os riachos e os descampados da infância, quando nem me passava pela cabeça que um dia eu seria jornalista em Porto Alegre. E quando a Alemanha era um lugar bem longe.
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* Alexandre Schossler é jornalista da safra 2000 da Ufrgs, pela qual também se formou em ciência da computação. Andou pelas redações do Correio do Povo e das revistas Press & Advertising, dos tempos em que elas eram duas e havia mais um jornal semanal, este divertido pra caramba de se fazer. Desde 2006 mora em Bonn, na Alemanha, onde se alterna entre as redações brasileira e luso-africana da Deutsche Welle.



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histórias da rua da praia!
Da redação
Ricardo Stricher

Jardim Botânico e o Museu. Vai!
Se o dia estiver bonito, o Jardim Botânico e o Museu de Ciências Naturais são um agradável passeio, mesmo para aqueles que não são fanáticos pelo verde.
Próximo ao centro da cidade, os 39 hectares da área foram abertos ao público em 1958 com a exposição das primeiras coleções de palmeiras e outras espécimes. A partir de 1974 foram criadas coleções botânicas de espécies organizadas por formações florestais, famílias botânicas e grupos temáticos.
Atualmente, é considerado um dos cinco maiores jardins botânicos do Brasil, pela diversidade das coleções de plantas.

Ricardo Stricher

Na área também está o Museu de Ciências Naturais, que pesquisa a biodiversidade, incluindo a fauna e a flora e os ecossistemas terrestres e aquáticos.
Com 3 mil metros quadrados, tem laboratório, gabinetes, salas de exposições e de coleções científicas, com um acervo constituído por mais de 432 mil exemplares de animais e plantas.
O Viveiro do Jardim Botânico produz, atualmente, mais de 120 espécies arbóreas nativas, ornamentais e medicinais.
Variação de preços: de R$ 2,00 a R$ 40,00.
Variedade de espécies: árvores ornamentais e frutíferas nativas.

Ricardo Stricher

O atendimento do viveiro é de terça a sábado, das 8 às 16 horas.
Ingresso adulto: 2 reais; crianças até 12 anos não pagam.
Para visitá-lo você pode optar pelas seguintes linhas:
- Ônibus Jardim Botânico - Linha 40
- Ônibus Petrópolis/PUC - Linha 476
- Ônibus Linha T2
- Ônibus Linha T11
- Lotação Jardim Botânico
O Jardim Botânico é aberto à visitação de terça a domingo, das 8 às 17 horas.
Informações:
(51) 3320-2024
jbotanico@fzb.rs.gov.br
Rua Dr. Salvador França, 1.427 - Jardim Botânico

Ricardo Stricher
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histórias da rua da praia!
Da redação

Centro Histórico – onde a cidade começou

Ricardo Stricher

Desde janeiro de 2008 o centro da cidade chama-se oficialmente de Centro Histórico de Porto Alegre. É a região onde a cidade nasceu e, por isso, 82 por cento do patrimônio tombado está na área. Há décadas que os governos e os comerciantes lutam para que o Centro seja revitalizado e que tenha o charme da metade do século passado.
Dois problemas: de 1970 para cá os bancos e financeiras foram tomando conta dos principais pontos comerciais, principalmente da rua da Praia e transversais. Assim, restaurantes, bares e lancherias foram se afastando, fazendo com que o movimento diminuísse à noite e nos finais de semana. E a grande maioria das linhas de ônibus convergiram para o Centro, a região recebe todo tipo de pessoas. Larápios também.

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Impossível tratar em uma matéria de todas as atrações do Centro Histórico. Comece por uma visita ao Mercado Público. Depois suba a Ladeira, hoje General Câmara (vereadores adoram militares) e chegue à praça da Matriz, hoje Marechal Deodoro (ah, esses vereadores!).
Originalmente conhecido como “Altos da Praia”, o local onde foi construída a Igreja da Matriz acabaria sendo chamado de Praça da Matriz, onde está o Palácio Piratini, construção iniciada em 1784, e a Casa da Junta. Destes três prédios, o único que sobreviveu desde a sua construção, em 1790, foi o da Casa da Junta, que sediou o Fisco e, de 1835 a 1967, foi a Assembleia Legislativa – ao lado do Palácio.
Estes prédios estão na rua Duque de Caxias (sempre militares), onde está também o Solar dos Câmara. Teve nomes bonitos: rua Formosa, no século XVIII, e rua Alegre, no início do século XIX. O primeiro nome oficial, no entanto, foi o de rua da Igreja.
Outra visita interessante é a Igreja das Dores, na rua da Praia. Além de ter uma história interessante, que pode ser conhecida no local, tem uma curiosidade que até os porto-alegrenses ignoram.

Ricardo Stricher

Em dezembro de 1810 foi instalada oficialmente a Vila de Porto Alegre. O símbolo de autonomia era um pelourinho. Ficava ali na frente da Igreja das Dores.
Jamais houve uma exploração turística do local. Os baianos deveriam dar aulas aos entendidos locais em turismo.
Outra: lá por 1773 Porto Alegre era toda cercada por um muro, para que não fosse invadida por saqueadores e bandidos em geral. A entrada era no Largo do Portão, que era fechado a noite. Hoje,o Largo chama-se praça Conde de Porto Alegre.
Jamais houve uma exploração turística do local. E tem gente que até contesta a existência do tal muro. O que é uma bobagem. Tanto que a Santa Casa de Misericódia foi construída logo depois do muro, para evitar o contágio das pessoas sadias.
(Mais informações e fotos na página 14)

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Da redação

Andradas? Que nada! É Rua da Praia sempre

Ricardo Stricher

A primeira via de Porto Alegre foi a rua da Praia. Exatamente porque ficava ao largo do rio Guaíba, onde os primeiros moradores criaram o porto da futura cidade. Por um puxa-saquismo extremado dos vereadores, o nome Rua dos Andradas foi adotado oficialmente em 17 de agosto de 1865, com a justificativa de “preparar a comemoração do dia da Independência”.
Homenagearam os famigerados irmão Andrada, que eram chefiados pelo autoritário e golpista José Bonifácio de Andrada e Silva, o “patriarca da independência”. Para terem uma ideia, a grande frase do Bonifácio: "Nunca fui nem serei realista puro, mas nem por isso me alistarei jamais debaixo das esfarrapadas bandeiras da suja e caótica Democracia."

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Aliás, ao longo dos anos, os vereadores são pródigos em homenagear nulidades.
A rua da Praia terminava na atual rua General Câmara, e o trecho que vai até a praça Dom Feliciano era chamado de rua da Graça. Na frase acima mais um engano dos nobres edis: a General Câmara foi mais um exemplo das inúmeras bajulações. Em 1870, a Câmara resolveu terminar com a rua da Ladeira, oficializando o nome de rua General Câmara em homenagem ao General José Antônio Corrêa da Câmara, Visconde de Pelotas.
Sérgio da Costa Franco, o maior historiador de Porto Alegre, conta que todos os viajantes estrangeiros, no século XIX, elogiavam a mais importante via da cidade:
Saint-Hilaire a descreve em 1820 como "extremamente movimentada (...) com lojas muito bem instaladas, de vendas bem sortidas e de oficinas de diversas profissões". Em 1858 o alemão Avé-Lallement fala dela como possuindo "casas muito majestosas de até três andares", o que atesta seu rápido desenvolvimento.

Ricardo Stricher

Em meados do século XX sua ocupação passara de ponto dos atacadistas para o comércio elegante e local de reunião popular em eventos cívicos, atraindo também inúmeros cafés, confeitarias, cinemas e restaurantes, explica o historiador.
Sempre foi o ponto da cidade para grandes maifestações. Foram várias, como em 1954, quando do suicidio de Getúlio Vargas.
Hoje, o cruzamento da rua da Praia com a avenida Borges de Medeiros é conhecido como a Esquina Democrática, ponto de concentração de comícios e manifestações populares.
Hoje, toda a área central da cidade está sendo recuperada, com o apoio do empresariado e da Prefeitura. Uma das principais atividades foi a retirada dos camelôs da área, instalando-os no Centro Popular de Compras, o Camelódromo.
Vale um passeio por toda a sua extensão e conferir, com calma, os prédios históricos que ainda restam. Um dos mais bonitos é o do antigo Hotel Majestic, onde está instalada a Casa de Cultura Mario Quintana.
A parte inicial da rua da Praia preserva algumas construções do início do século passado e a calmaria contrasta com os outros trechos.

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Jayme Copstein *

Mario Quintana e a Academia
Alguém me pergunta se José Sarney era membro da comissão que convidou Aurélio de Lyra Tavares a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Ele não me contou, de propósito, quem foram os paisanos. Sentiu a provocação da pergunta, de como conseguira ingressar na Casa de Machado de Assis, e retrucou, como se dissesse: "Não pedi nem obriguei ninguém".

Ricardo Stricher

Não precisou acrescentar qualquer alusão irônica à lustração de botas.
Não sei, pois, se Sarney contribuiu para que o general trocasse o brim verde-oliva do Exército pelo veludo verde-garrafa da Academia. Mas, com toda a certeza, foi ele quem impediu o ingresso de Mario Quintana na instituição, em 1982.
Quintana candidatou-se pela primeira vez em 1981, com o apoio de intelectuais gaúchos. Ninguém sabia, no Rio Grande do Sul, a topografia do caminho que, então, abria aquelas portas. Pensava-se, com simplória ingenuidade, em algum chavão latino, como "ars, scientia et virtus". Acabamos convencidos de que nem mesmo ao velho Machado se respeitava. Prevalecia: "Ao vencedor, as batotas!".
A primeira tentativa de Quintana nasceu morta. Telefonema de Antônio Houaiss a Maurício Rosenblatt pediu a retirada da candidatura. Eduardo Portella, ministro da Educação de João Figueiredo, se desaviera com a ditadura e deixara o governo.
Segundo Houaiss, impunha-se sua eleição sem concorrentes para preservá-lo de eventuais represálias. Era assegurada a Quintana a vaga da próxima eleição.
O poeta recusou o arranjo, mas por solidariedade. Achou que concorrendo e perdendo, enfatizava mais a importância de eleição de Portela. É difícil saber se a boa intenção foi mal-entendida ou se o amadorismo com que a candidatura era conduzida resultou na segunda derrota.
A terceira tentativa foi orientada por Vianna Moog, então o único gaúcho na Academia. Quintana cumpriu todo o ritual, foi ao Rio de Janeiro, fez visitas protocolares e voltou para o Rio Grande do Sul, certo, como todos nós, de que desta vez obtivera o número de votos necessários. Seu concorrente mais próximo era Carlos Castello Branco, grande nome do jornalismo, mas sem a importância literária do nosso poeta.
Nas vésperas da eleição, Quintana recebeu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul o título de professor "Honoris Causa". Estava feliz e eufórico como nunca. Concluída a cerimônia, um repórter lhe perguntou, sem malícia, já que ele agora parecia ter descoberto o caminho, como se ingressava na Academia.
Quintana, fazendo humor, respondeu que dependia do "QI" – quem indica. O Globo publicou a piada no dia seguinte. Ninguém viu maldade nela. A não ser José Sarney, cabo eleitoral de Castello Branco, que distribuiu cópias da reportagem para todos os acadêmicos, na hora da votação.
Houve algumas indignações – encomendadas, é claro – e Vianna Moog tentou aparar o golpe. Esforçou-se em vão para sustar a votação. No dia seguinte, o Jornal do Brasil publicava o telefonema de Sarney a Castello Branco, dizendo: "Missão cumprida". Uma façanha, com toda a certeza, mas da qual não se pode separar a perfídia cometida.
Sarney cometeu um equívoco em relação a Castello. Não percebeu que a integridade pessoal, mais do que o imenso talento, é que o tornava um ícone do jornalismo. Quando quis cobrar a conta, não levou. Nada lhe tinha sido pedido, ninguém lhe devia nada. Foi criticado por Castello por suas mambiradas e ficou possesso.
Muitos anos depois, Sarney veio a Porto Alegre e fez questão de encontrar Quintana. Eu soube depois do caso passado. Perguntei ao poeta se ele não se sentira constrangido. Respondeu-me: "Não, não me senti. Ele foi muito gentil comigo!".
Foi quando tive certeza de que "Anjo Malaquias" era autobiográfico.

* Jayme Copstein é jornalista, radialista, escritor e editor do www.jaymecopstein.com.br

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Da Redação

Ricardo Stricher

Mais um aniversário do Mercado Público
Com muito orgulho, os moradores de Porto Alegre comemoraram os 140 anos do velho e bom Mercado, no último dia 3. E o prefeito José Fogaça afirmou que novas melhorias serão realizadas.
Pode-se dizer que lá está uma síntese da cidade.
O histórico prédio é uma visita obrigatória para quem está na cidade. Mais obrigatório ainda para quem está no Centro Histórico.
Para as gerações mais recentes, é inimaginável que um prefeito, na década de 70, quisesse demoliro Mercado para que fosse feita uma avenida.
Na época, as vozes contrárias aos donos do poder eram raras. Mas, mesmo assim, bravos porto-alegrenses bateram pé e o Mercado está lá, no Largo Glênio Peres, bravo e forte.

Ricardo Stricher
Ricardo Stricher
 
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Fernando Albrecht*

O Marimbondo da Rua da Praia
Nos anos 60, O Marimbondo era uma espécie de clown de uma turma de riquinhos que fazia ponto na Rua da Praia, em frente à Praça da Alfândega. Um episódio deu-se quando uma colunista do antigo Correio do Povo irritou-se com os gracejos da turma. Ela morava no edifício do Clube do Comércio e estava indo para a redação.
No dia seguinte, sua coluna tinha fortes críticas aos rapazes, inclusive com direito a retrato falado de alguns deles.

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A rapaziada vingou-se de forma exemplar usando o Marimba. Na saída da sessão das 22 horas dos cinemas Imperial e Guarani, quando saíam magotes de gente, devidamente instruído o Marimbondo plantou-se embaixo do prédio e olhando para cima, desandou a gritar o nome da jornalista a plenos pulmões, mais frases que escandalizaram os espectadores, porque dirigidas a uma solteirona que se supunha uma santa.
– As cuecas, me devolve pelo menos as cuecas, já que não me queres mais!
Havia outras figuras, como o Xerife (não o da Feira do Livro, o La Porta). Tinha um mau humor permanente e desancava todos que não lhe davam algum trocado. Morreu ao cair do bonde Duque, bem em frente do prédio da Caldas Júnior. Outro personagem era o Repolho. Seu apelido foi maldade pura: magrinho e pequeno, tinha uma hérnia volumosa abaixo da cintura. Quebrava galhos tipo pagar contas ou levar recados.
Toda a cidade, grande ou pequena, tem seus tipos populares. Geralmente o primeirão é o borracho, o tipo que de cara limpa é uma moça e bêbado é um desastre. Como o Cabeleira, em Montenegro. Mas essa já é outra história.

* Fernando Albrecht é colunista do Jornal do Comércio, comentarista da Band AM e editor do www.fernandoalbrecht.com.br

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Da Redação

Uma frota perfeita para a cidade
O transporte público de Porto Alegre é considerado um dos melhores do Brasil.
Além da empresa pública Carris, há três consórcios que reúnem 13 empresas privadas.

Ricardo Stricher

Os consórcios Conorte, STS e Unibus atendem, respectivamente, as regiões norte, sul e sudeste-leste. A Carris é responsável também pelas linhas transversais.
A frota é formada por 1.584 ônibus distribuídos em 391 linhas. A idade média dos veículos é de 4 anos e 10 meses. Do total de ônibus, 350 possuem ar-condicionado e 481 são adaptados para pessoas com deficiências.
Em 2008 foram transportados 315.300.563 passageiros, uma média de 26 milhões por mês. Deste total, 240.658.566 são pagantes. No último ano, o Índice de Passageiros por Quilômetro (IPK) alcançou 2,1064. No período, foram percorridos em média 9.520.954,60 km por mês e realizadas 7.373.500 viagens.
Uma das novidades do sistema é a implantação da Bilhetagem Eletrônica, que substitui as fichas pelo cartão. Intitulado TRI – Transporte Integrado, o projeto foi desenvolvido por etapas. O processo de cadastramento começou em maio de 2007, com o registro de passageiros isentos. Em fevereiro de 2008, foi a vez dos escolares.

Ricardo Stricher

Em maio do ano passado se iniciou o cadastro de usuários do vale-transporte e, em agosto, o do passageiro comum. Ao todo, existem cerca de 700 mil pessoas inscritas no TRI.
Uma das vantagens do TRI é o desconto da passagem integrada. Todo passageiro que possui um cartão de vale-transporte ou passagem antecipada utiliza dois ônibus de Porto Alegre e embarca no segundo coletivo em até 30 minutos após descer do primeiro, recebendo 50% de desconto na tarifa da segunda viagem.
No futuro, o sistema ainda poderá propiciar, por meio de parcerias, novos benefícios como a integração com outros meios de transporte.
São 3.925 táxis e 403 micro-ônibus, 367 com ar-condicionado, 29 linhas prinicipais e 17 secundárias. São 4.632 viagens por dia, no transporte de aproximadamente 56.000 passageiros.
A EPTC - Empresa Pública de Transporte Coletivo - planeja, fiscaliza e regula todo o sistema de transporte da cidade de Porto Alegre, um dos mais qualificados do país.

Linhas
A Prefeitura de Porto Alegre oferece em seu site uma página para pesquisas das linhas dos ônibus com os respectivos itinerários. É só acessar o http://www.eptc.com.br/EPTC_Itinerarios/Lograd1.asp.

Sugestões e reclamações
Por telefone:
Ligue 118, todos os dias, a qualquer hora.
Pessoalmente:
Para reclamações referentes a trânsito ou sugestões para o trânsito e transporte, protocole o seu pedido no atendimento ao cidadão da EPTC, na avenida Érico Veríssimo, 5, de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 17h.

 

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Da redação

As fotos do Ricardo Stricher
Estão na contracapa do jornal.






Ricardo Stricher, 52 anos, fotógrafo profissional, é nascido em Porto Alegre. Tem seu nome ligado há mais de 30 anos a fotografia, cinema e teatro. Neste espaço, a ideia é apresentar ao leitor detalhes do dia a dia da cidade. Sempre na incansável busca pelo melhor ângulo para deliciar o olhar.


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Da Redação

Os vencedores
Assim como foram escolhidas as 7 Maravilhas de Porto Alegre, os leitores do Porto Alegre é Assim! elegeram democraticamente as 7 Delícias de Porto Alegre.
A primeira eleição foi durante 60 dias e os últimos votos computados chegaram no dia 31 de agosto de 2008. No total foram 192.138 votantes.A contagem final apontou o Mercado Público em primeiro lugar, seguido pela Rua da Praia, Guaíba/Pôr-do-Sol, Usina do Gasômetro, Parque da Redenção, Estátua do Laçador e Catedral Metropolitana.
No dia 8 de novembro do ano passado terminou o prazo de também 60 dias para as escolhas das Delícias. E custamos para computar os votos porque foram várias campanhas para a escolha das sete inesquecíveis iguarias da capital gaúcha.
Acreditem, foram 265.422 votos.
Confira abaixo os vencedores:

- Carnes do Outback Steakhouse  – no Shopping Iguatemi


- Pizzas na Panela, do Bar Restaurante Pedrini


- Massas em geral, do Atelier de Massas


- Espetinho de Camarão e Queijo (com molho de pimenta), do Mamma Julia – Mercado Público


- Rascatelli ao Suco com Porpeta, do Restaurante Copacabana


- Anchova ou Tainha Recheada com Camarão, do Gambrinus Restaurante – Mercado Público


- Torta de Sorvete, da Confeitaria Torta de Sorvete


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histórias da rua da praia!
Da Redação

------7 Maravilhas de Porto Alegre ------

1º - Mercado Público

2º - Rua da Praia

3º - Guaíba/Por do Sol

4º - Usina do Gasômetro

5º - Parque da Redenção

6º - Estátua do Laçador

7º - Catedral Metropolitana


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