Atenção!
Esta é uma edição resumida da 3 ª edição do jornal Porto Alegre é Assim!.
Mesmo assim, o leitor tem uma boa ideia do que foi a edição.
Boa leitura e saboreie as fotos!!
Estamos muito contentes com o sucesso do Porto Alegre é Assim!. Mas não é fácil agradarmos a todos. Os caminhos são sempre tortuosos com os da avenida João Pessoa, da foto aí de cima.
Para lembrar. A primeira edição estava muito legal, mas não foi lá grandes coisas o produto final, porque não temos o menor controle sobre a impressão. A anterior, acertamos em cheio, porque mudamos a empresa que o imprimiu.
Foi realmente um sucesso, não apenas nos hotéis em que circula, mas nos pontos comerciais relevantes em que é distribuído. Recebemos vários e-mails e telefonemas. Todos destacando o inusitado das pautas, especialmente as fotos do Ricardo Stricher.
Enquanto o amigo está lendo estas linhas e vendo o trabalho que foi feito, nós não temos ideia de como ficará o “produto final”. Mas temos total confiança na impressão do Correio do Povo.
Ah, ia esquecendo de falar sobre a quase unanimidade.
Quase, isso mesmo.
Porque, acreditem, o pessoal da Prefeitura de Porto Alegre gostou muito do jornal. O próprio prefeito José Fogaça disse ao Stricher que o Porto Alegre é Assim! estava muito legal. Já imaginou, o prefeito elogiar?!
Aí o amigo pode indagar: Então, é uma unanimidade?
Não, felizmente. Tem um pessoal da área do turismo da cidade, tanto da Secretaria como de algumas entidades inex-pressivas, que simplesmente se comportam indiferentes.
Paciência.
Incentivados pelos nossos leitores e amigos, já estamos preparando a Edição de Verão, que circula a partir da segunda quinzena de dezembro.
Só para terem uma ideia, vamos ter uma matéria, mais do que especial, sobre a orla do Guaíba, com um destaque especial para o bairro Ipanema.
Vamos ter fotos do belo Guaíba, em que muitos vão perguntar:
- Onde é isso? Ah, não é de Porto Alegre!
Outra coisa: como muita gente quer receber em casa ou no trabalho o Porto Alegre é Assim!, vamos oferecer a alternativa da assinatura, por 10 edições, para as despesas básicas.
Até dezembro!!
Recebi em 10 de março deste ano este e-mail da jornalista Helen Braun:
Vi em teu blog uma observação sobre os locais em que tinhas leitores - e que ficaste admirado por tê-los por aqui (Moscou).
Gostaria de dizer que passo por tua página sempre que posso para matar a saudade dos "Pampas" e saber o que acontece na nossa imprensa gaúcha.
Estou aqui desde o final do ano passado, trabalhando como correspondente da Rádio Voz da Rússia.
Aqui faço matérias sobre as relações da Rússia com o Brasil, América Latina e países de língua portuguesa e espanhola em geral, além de ter um programa semanal onde conto, em uma espécie de diário de viagem, como é a experiência em um local tão diferente...
(...) Podes ouvir os outros programas também no www.ruvr.ru - daí vais na direita e procura pela redação de língua portuguesa.
A Helen está de volta a Porto Alegre. Trabalha no Grupo Record e nos finais de semana voltou a tomar chimarrão na Redenção. (JLP)
Trabalhando como correspondente da Rádio Voz da Rússia em Moscou, uma emissora estatal que serve como “porta-voz”do governo russo, não foi da liberdade de imprensa – inexistente -, ou, das boêmias noites de “filosofia” com colegas jornalistas na Cidade Baixa do que mais senti falta. A ausência da livre expressão era insuportável, claro. Ainda mais para uma jornalista que tem como uma de suas características mais marcantes a teimosa busca por ouvir todos e expressar claramente os diversos lados de uma mesma história.
No entanto, sei que isso talvez nem aqui em Porto Alegre seja sempre possível. Já a boemia é característica russa, embora, nem sempre acompanhada de uma boa filosofia.
Na verdade, o que mais me fazia sentir falta da Capital gaúcha era algo corriqueiro e, quem sabe, por isso me passasse desapercebida sua importância até então: tomar chimarrão, comendo bergamotas, em um domingo de sol na Redenção. Eis uma das coisas mais gostosas para se fazer por aqui!
Bergamotas existiam. Aliás, eram as únicas frutas economicamente acessível no inverno russo. No entanto, elas sozinhas perdiam a graça. O frio não era o problema. A falta daquele solzinho que temos no inverno gaúcho, porém, é realmente grande. Alia-se a isso ao fato de que, mesmo o frio não sendo um empecilho para que os russos divirtam-se nas ruas, não havia parque como a Redenção. Podiam-se fazer piqueniques em cemitérios, ver crianças brincando de deslizar na neve, e até presenciar alguns corajosos que se aventuravam a correr nos parques com uma temperatura de -17ºc.
Porém, nada se comparava a uma tarde repartindo a cuia no Parque Farroupilha: a diversidade de tribos, a pluralidade de ideias, a mistura de sons e, até, a diversificação de cultos e manifestações – tudo ali, em um só lugar.
E a pior parte chegou na hora do chimarrão. Para mim, tomar chimarrão é um hábito social. Tomá-lo no domingo à tarde nos parques de Porto Alegre é uma forma de compartilhar não somente a cuia e, sim, os momentos, as experiências.
A primeira vez que tentei ensinar meus colegas russos a tomar chimarrão, logo me largaram uma pergunta: dá para beber isso com vodka? Bom, até deve dar, mas daí não sei qual nome daríamos a tal bebida. Depois, percebi o constrangimento geral em repartir a mesma bomba. Um colega prontamente criou uma laringite. Outro começou a tossir e dizer que, por estar resfriado, não poderia utilizar aquele instrumento para tomar a tal bebida exótica.
Um terceiro ainda estendeu uma caneca para que eu colocasse o líquido da garrafa térmica nela (não compreendeu que ali só havia água e que a bebida só era legítima na cuia).
Na verdade, mesmo compartilhando, sem problemas, entre várias bocas uma garrafa de vodka, todos acharam estranho e um tanto quanto nojento a ideia de repartir aquela espécie de canudo metálico introduzida em um porongo.
Portanto, tive que desistir da experiência e beber o meu “chimas” sozinha. Assim, no cinza, no frio, sem parque com árvores verdes e pessoas coloridas. Sem companhias dispostas a repartir a mesma cuia, a mesma bomba, formando uma roda de chimarrão.
Desta forma, as bergamotas nem tinham o mesmo sabor. E foi desta maneira que me dei conta de que o que eu mais sentia falta em Porto Alegre era de observar a pluralidade que circula no Parque Farroupilha. Tomando sol sobre uma esteira, repartindo este momento com amigos, colegas, companheiros dispostos a formar uma roda de chimarrão e a passar, de mão em mão, o saco de bergamotas.
A Feira do Livro é um show! E o livro?
O escritor e ex-patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, Charles Kiefer, em artigo publicado na Zero Hora do dia 12 de novembro:
“Em 2005, a Feira do Livro vendeu 530.980 exemplares; em 2006, vendeu 472.348 exemplares; em 2007, vendeu 459.521 exemplares; e, em 2008, vendeu 424.046 exemplares. Uma retração, em quatro anos, de 106.934 exemplares! É pouco? Vinte por cento de queda nas vendas é pouco? Arrisco um palpite: em menos de 10 anos, estaremos vendendo, no máximo, 200 mil exemplares por edição da Feira!”.
Acrescentamos que nesta 55ª edição da Feira foram vendidos 354.892 (queda de 16 por cento).
Ricardo Stricher
Mais adiante, Kiefer prevê:
“Comércio vive do tilintar das moedas. E, sem moedas, o discurso se transforma em saudade do passado. Não é de hoje que murmuramos, entristecidos pelas alamedas floridas da praça, ‘como eram boas as Feiras de antanho’! Mais um pouco e faremos um Centro de Tradições da Feira do Livro!”.
Há, pelo menos, duas edições que o assunto começou a ser debatido isoladamente. E toda crítica é com base num argumento: são promovidos muitos “eventos paralelos” que nada têm a ver com a maior atração da Feira, o livro. Como consequência, os verdadeiros escritores se afastaram do evento, porque simplesmente deixaram de ser a principal atração.
É um sem-número de exposições, saraus, oficinas, seminários, peças teatrais, atrações musicais, “olhares”, e não sobra espaço para o livro. Até mesmo o tradicional bar da Feira ficou lá num canto, isolado.
Charles Kiefer convoca o óbvio: a CRL, a Prefeitura, o Governo do Estado, a imprensa, as associações de escritores, a Câmara de Vereadores, o Parlamento gaúcho e a sociedade em geral, para uma reflexão sobre o assunto.
A história do bairro é tão rica que mereceu um livro, Moinhos de Vento - Histórias de um Bairro de Porto Alegre, do jornalista Carlos Augusto Bissón. Portanto, resumi-la é tarefa difícil, mas vamos lá.
Na segunda metade do século 18, alguns açorianos foram para a região, mais ou menos na altura do Morro Ricaldone, instalaram moinhos de vento, já que plantavam muito trigo.
Bem mais tarde, em 1883, Antonio José Gonçalves mudou-se da região de Mostardas para a cidade. Como havia outro com o mesmo sobrenome, acrescentou o Mostardeiro. Comprou uma chácara de 64 hectares. Mais tarde criou um loteamento. As terras começavam onde hoje está a praça Júlio de Castilhos e tinham por limites as ruas Ramiro Barcelos, 24 de Outubro, Castro Alves e Almirante Abreu; e também a Mostardeiro e a Dona Laura – esposa de Antônio.
Ricardo Stricher
A área contrastava com a atual avenida Independência e arredores, onde já estava constituído um arraial. Não poderia crescer, a não ser para o lado do atual Moinhos.
Em 1893, com o início da linha de bonde Independência, o Loteamento São Manoel ganhou impulso. A abertura do Prado Independência, em 1894, e a construção da Hidráulica Moinhos de Vento, em 1904, foram fundamentais para o fortalecimento do Moinhos de Vento.
Ricardo Stricher
Em 1927 foi inaugurado o Hospital Alemão, que, em 1942, passou a se chamar Hospital Moinhos de Vento.
Uma curiosidade: o primeiro Campo do Grêmio (ele mesmo, o Imortal Tricolor) foi por ali, perto de onde hoje está o Parcão, que, por sinal, foi por muitos anos o Prado Independência.
Outra: hoje, a família Mostardeiro é uma das mais tradicionais de Porto Alegre.
O bairro Moinhos de Vento foi criado oficialmente em 1959.
Apesar da Mostardeiro, Dona Laura, Padre Chagas, Luciana de Abreu e Fernando Gomes, a “calçada da fama”, o coração do bairro é mesmo a 24 de outubro.
Lá está um dos ícones dos edifícios nobres da cidade, o Condomínio Edifício Florage - Rua 24 Outubro, 997.
Mais? O Parcão, compras no Moinhos Shopping, um jantar com o (a) amado (a) no Sheraton, um “expresso caríssimo” numa cafeteria...
Por ter se tornado uma rua importante, sofisticada, há muitas brincadeiras envolvendo o personagem homenageado. O jornalista Fernando Albrecht brinca com outro colega, o Wilson Müller: “O Wilson é tão antigo que foi coroinha do Padre Chagas”. Outros debocham dos altos preços que algumas cafeterias cobram por um prosaico expresso ou por um suco de laranja.
Afora qualquer crítica ou gracejo, a Padre Chagas tem dezenas de lojas, principalmente, de roupas e sofisticados restaurantes, bares e cafeterias. Lembra muito algumas ruas de Ipanema e Leblon, no Rio.
À noite, o público que anda pelas cuidadas calçadas é outro. Aí a azaração nas casas noturnas é a prioridade. Nada de vitrines e compras.
Como um guardião da Padre Chagas e de seu público, na rua Olavo Barreto Viana, está o pomposo e, à noite, iluminado Hotel Sheraton.
Mas, afinal, que foi o Padre Chagas?
Francisco das Chagas Martins Ávila e Sousa nasceu no Rio de Janeiro em 1788 e partiu em 1865, quando vivia em Piratini, aqui no RS. Teve importante atuação na Revolução Farroupilha.
Não se sabe bem como tornou-se padre, mas era muito popular. Tanto que foi eleito deputado para a 1ª Legislatura da Assembléia Legislativa Provincial do nosso Estado.
Padre e deputado
Ricardo Stricher
Também foi deputado na Constituinte Republicana dos revolucionários de 1835. Foi o Vigário Apostólico da Igreja Católica, na Republica de Piratini.
Quando em 1842 foi instalada em Alegrete a Assembléia Geral Legislativa, para fazer a nova constituição republicana, o Padre Chagas lá estava, como o deputado mais votado com os incríveis 3.025 votos.
Não se sabe muito da vida dele. Alguns registros de quando já era uma quarentão. Sabe-se, também, que foi eleito deputado provincial na 3ª Legislatura da Assembleia do Estado, em 1848.
O jornalista e cronista da cidade, Aquiles Porto Alegre, conheceu Padre Chagas quando era muito jovem. O religioso e político já tinha 72 anos. Descreveu-o assim: “Era alto, magro, com pele encarquilhada e amarelenta como uma múmia. Tinha uma expressão de infinita bondade”.
Dá para entender por que na chamada da capa está escrito que a Padre Chagas é uma rua em que o homenageado não tem nada a ver com o “produto final”.
E dá para se constatar o exagero da brincadeira do Fernando Albrecht com o Wilson Müller.
Afinal, quem poderia ter sido o coroinha do Padre Chagas foi o lendário Aquiles Porto Alegre.
O Muro da Mauá O porto-alegrense menos avisado tem relação confusa com o Muro da Mauá, nascida de equívoco: não foi idealizado pelo regime militar, como muitos supõem, mas obra concluída durante aquele período.
Para alívio, pois, dos que sofrem de preguiça mental e são subservientes a modelos ideológicos, ele é politicamente correto.
O projeto é bem anterior, ainda do tempo do Estado Novo, elaborado logo após as cheias de 1941 que praticamente devastaram o centro da cidade.
Ricardo Stricher
As obras começaram um pouco depois e se arrastaram por quase 30 anos por sua dimensão. A última inundação aconteceu em 1963 e teve proporções menores porque a execução do projeto já estava em andamento e evitou o pior. De 1964 para cá, sabe-se com certeza que, pelo menos em três ocasiões, o Guaíba ameaçou repetir a catástrofe.
Ninguém parece levar em conta, também, que o Muro da Mauá é apenas um dos elementos do complexo sistema de prevenção de cheias, que implicou na retificação do curso de rios afluentes e correção da margem do estuário, da que vai até Navegantes, onde foi construído o chamado novo cais.
A campanha pela demolição do muro, que recrudesce de tempos em tempos, faz-se também com base em suposta relação amorosa do porto-alegrense com o Guaíba. A imundície jogada diariamente pela população, que lhe tirou a própria baneabilidade, não autoriza falar de amor. Além do mais, aquele trecho da cidade jamais foi área turística.
Resultou de aterros sucessivos, até chegar à paisagem atual no início do século 20 quando foi construído o porto.
Antes, as águas chegavam até onde hoje é a Praça da Alfândega, daí o nome de Rua da Praia porque era praia mesmo.
Inicialmente os armazéns do porto, depois os grandes edifícios ao longo da Avenida Mauá, esconderam a paisagem daquele trecho do estuário.
Os próprios barcos de turismo sempre tiveram ancoradouro mais ao norte, da mesma maneira que ali havia uma feira livre permanente, conhecida como doca das frutas.
Não há, portanto, nenhum fundamento na cruzada para demolir o Muro da Mauá. O que há de verdadeiro é que ele é feio porque jamais sofreu obras de embelezamento que em nada o prejudicariam.
Aí entrou de novo a parvoíce ideológica: o projeto de urbanização da área ficou inconcluso quando a Câmara Municipal vetou a construção de uma elevada sobre toda a extensão do Muro porque o nome proposto para ela era Marechal Arthur da Costa e Silva.
Foi uma pena.
Denominações de logra-douros públicos podem ser mudadas a qualquer momento, é um procedimento simples. O público, isso sim, perdeu a vasta área de lazer que poderia ser criada a partir da Praça da Alfândega, como o projeto previa.
Ao longo do tempo outras sugestões foram oferecidas. Artistas plásticos, por exemplo, pretenderam fazer ali uma galeria permanente de pintura, isso sim, uma bela atração para turistas.
Nenhuma das sugestões prosperou porque nunca se encontrou o financiamento necessário. Bastaria, até hoje, fração da dinheirama necessária para demolir o muro.
A Bienal que “espanta” o porto-alegrense A 7ª edição da Bienal de Artes Visuais do Mercosul traz como marca o processo artístico. Sob a insígnia de uma guinada metodológica, a ênfase da exposição está posta nos processos de criação – mais que em temas específicos – onde ação e reflexão operam como as ferramentas a partir das quais a Bienal se articula. Cada um dos espaços expositivos funciona no sentido de revalorizar o artista como um ator social e constante produtor de sentido crítico, posicionando seu olhar no cerne de cada uma das exposições e programas. Participam desta edição cerca de 320 artistas, de países como Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, EUA, França, México, Suíça, Reino Unido, Uruguai, Venezuela.
Ricardo Stricher
Mais da metade das obras foram produzidas especialmente para a Bienal.
Por vez primeira, pode não ficar claro àquele que circula pelos armazéns do Cais do Porto (que abrigam as mostras Absurdo, Ficções do Invisível, Biografias Coletivas, Texto Público e Árvore Magnética), nas salas perfeitamente montadas do Museu de Artes do Rio Grande do Sul – MARGS (palco de Desenho das Idéias) ou no hall propositalmente escuro do Santander Cultural (onde está a mostra Projetáveis) que, em seu conjunto, a 7ª Bienal propõe um explorar intenso nas maneiras em que o artista articula um método não hierárquico de conhecimento para criar um sistema de possibilidades dinâmico. A ideia é que cada espectador seja capaz de montar seu próprio método de leitura desta Bienal. Às vezes, uma primeira mirada não alcança, e o que pode parecer caótico (ou absurdo), sustenta de forma exemplar o título da exposição: Grito e Escuta.
(...)
Ricardo Stricher
Para quem pretende visitar Porto Alegre, há um farol que funciona como mostra guia de todas as outras mostras. Com curadoria de Victoria e excelente montagem, Desenho das Idéias reúne e tenta desvendar o processo de trabalho de artistas como Walmor Corrêa, James Ensor, Paulo Bruscky, Cildo Meireles, Leon Ferrari e Liliana Porter. “O desenho é, talvez, a disciplina que revela com maior transparência o pensamento do artista durante seu processo criativo. O artista que desenha o faz, normalmente, na sua intimidade. Essa atitude intimista do desenho, em que um mundo ou um ser amado são revelados, ou expressa um grito ou uma crítica ante um determinado estado das coisas, é o que queremos resgatar nesta exposição”, explica Victoria.
Por outro lado, a 7ª Bienal busca estender limites, tanto no tempo quanto no espaço. No espaço, porque seus limites físicos não coincidem com os de Porto Alegre, do Brasil ou mesmo do Mercosul: os artistas e a rádio criada especialmente para o evento transcenderão fronteiras. As ondas sonoras da chamada Radiovisual podem ser escutadas em www.bienalmercosul.art.br. No tempo, porque esta é uma Bienal que ensaia metodologias educativas que permanecerão tempos depois na cidade (como a realização dos Mapas Práticos, no sentido de descentralizar as oficinas do Projeto Pedagógico da 7ª Bienal). No espaço, porque artistas como Marcela Armas e Gilberto Esparza, da mostra Texto Público, desfilaram buzinas e moscas eletrônicas pela cidade. Dentro das instalações do Cais do Porto, performances e a mostra Absurdo, de curadoria de Laura Lima, atravessaram as portas dos armazéns e tomaram a beira do rio.
(...)
Período: de 16 de outubro a 29 de novembro de 2009
Horário de visitação: 9 às 21 horas
Dias de funcionamento: de terça a domingo
Entrada franca
www.bienalmercosul.art.br
A velhinha do Mercado Público O Mercado Público de Porto Alegre completou 140 anos, com direito a bolo, discursos e anúncio de novidades. O MP é uma ilha maravilhosa onde se encontra de tudo e não só em matéria de comes & bebes.
Ricardo Stricher
De certa forma, falta até às bancas publicidade do que vendem, quem sabe pela internet. Na Banca 43 e para dar só um exemplo, você pode comprar desde filé de truta defumada até bolinhos de bacalhau pré-prontos.
No passado, o espaço esteve até ameaçado de ser derrubado em nome da modernidade. Felizmente o bom senso prevaleceu. É claro que falar em Mercado é falar também em Gambrinus, o mais antigo restaurante de Porto Alegre, na Banca 40 com seu sorvete artesanal e salada de frutas. Até aquela erva milagrosa da vovó se acha em bancas especializadas.
Até os anos 70, havia uma loja do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), em que o movimento maior era o de pagantes de contas atrasadas.
Certo dia uma fila enorme se formou e lá na rabeira estava uma velhinha padrão, encurvada, com vestido preto e uma sombrinha. E, claro, com um mau humor do cão. Quando chegou a sua vez de ser atendida, ela botou a boca no atendente.
- Não sei como vocês podem cobrar uma coisa que Deus dá de graça!
Imaginem o saco do funcionário público, que provavelmente ouvia coisas semelhantes todo santo dia.
Ele suspirou, revirou os olhos e deu a resposta de bate-pronto.
- Pode até ser de graça, mas não em torneira...
Ela queria matar o cara.
A tônica e o Campari A escolha de Mário Sérgio como treinador do Internacional foi uma surpresa até para os veteranos jornalistas.
Um deles, Cláudio Quintana Cabral, da Band, disse que a escolha de Mário Sérgio foi uma “água tônica”. E explicou a estranha comparação.
Quando o hoje treinador era jogador do mesmo Inter, foi convidado por um tio de Cabral para um papo na residência daquele. Assim que a visita chegou, o anfitrião ofereceu a ele uma bebida, podia ser a que ele quisesse – cerveja, uísque, vodca, qualquer coisa.
- Eu só queria uma tônica – respondeu Mário Sérgio.
Cabral-sobrinho então usou isso para demonstrar que, de todo um listão, o escolhido nem era cogitado.
Pois aconteceu algo parecido com outro Sérgio, o Paulo Sérgio Pinto, vice-presidente da Rede Pampa.
Um dia, ele resolveu fazer um bar internacional na sua casa. Passou anos comprando bebidas típicas de todos os países.
Tinha pisco, arak, tequila, korn, tudo mais as tradicionais bebidas destiladas encontráveis em todo o mundo.
Para inaugurar o bar em grande estilo, Paulo Sérgio convidou um casal amigo para drinques.
Assim que se acomodaram, o dono de casa então enumerou as dezenas de tipos de bebidas que compunham o acervo etílico, pedindo à esposa do amigo que escolhesse alguma.
- Eu só queria um Campari – falou ela, humilde.
O anfitrião olhou, olhou de novo, conferiu a lista e teve que dar uma desculpa.
O raio do Campari era a única coisa que ele não tinha.
O chefe e o mar
Durante duas décadas o governo gaúcho manteve no Rio de Janeiro uma espécie de embaixada, teoricamente para auxiliar o Palácio Piratini em pleitos federais. O problema era que o Rio não era mais a Capital Federal, portanto não servia para rigorosamente nada. E olha que abrigava pelo menos uma dúzia de funcionários, sempre comandados por alguém de confiança do governador e, como se dizia nos anos 60, “colimado com os objetivos da Revolução Redentora de 64”.
Pois foi nomeado chefe do escritório um gaúcho de quatro costados, cantor de serestas, poeta, declamador e boêmio, não necessariamente nesta ordem. E, claro, homem da Revolução de 64. No dia em que chegou no Rio para assumir o cargo, o jornalista Éldio Macedo aguardava o novo chefe no aeroporto Santos Dumont. Nos anos 60, Éldio foi dono de boate famosa em Porto Alegre, casa que hoje chamaríamos de danceteria.
O jornalista então levou sua excelência para a casa gaúcha a bordo do Opala oficial. Lá pelas tantas do trajeto, vendo aquela água toda, o chefe botou a cabeça para fora da janela do carro e desandou a cantar.
- Copacabaaana, prince-siiiinha do maaaar...
Éldio puxou o chefe de volta.
- Chefe, não é Copacabana, é a Lagoa Rodrigo de Freitas!
O homem fechou a cara. Durante anos, Macedo dizia não entender por que o chefe não lhe dava a mínima pelota. Mais do que isso, era inamistoso e até hostil.
Moral da história: nunca corrija a geografia de um poeta da noite.
* Fernando Albrecht é colunista do Jornal do Comércio, comentarista da Band AM e editor do www.fernandoalbrecht.com.br
Como está na capa, Porto Alegre tem 40 morros. Acreditem, é um dado oficial, da Prefeitura.
São de granito, com 300 milhões de anos.
Ocupam 65 por cento da área total da cidade.
Os principais:
Santa Teresa: Mais conhecido como Morro da TV, está a 148 metros do nível do mar. Tem uma excelente visão do Guaíba, dos parques Marinha do Brasil e Maurício Sirotsky Sobrinho. Do belvedere Ruy Ramos se veem parte das ilhas, a Usina do Gasômetro e o Centro Histórico.
Mas não se aventure sozinho. Vá em grupos e de dia.
Ricardo Stricher
Morro do Sabiá: Está na na zona sul de Porto Alegre, em Ipanema.
Infelizmente, desde 1999, o Morro passou a ser de uso exclusivo da comunidade do Colégio Anchieta, “a fim de garantir uma maior segurança e a preservação da sua rica fauna e flora”. Pena.
Morro do Osso: Está no Parque Natural Morro do Osso, iniciativa da Prefeitura, criado em 1994, e que oferece uma das mais belas vistas.
Tem 143 metros de altitude, e localiza-se na bacia do Guaíba, entre os bairros Tristeza, Camaquã e Ipanema.
Morro da Glória: Ninguém conhece por este nome, mas morro da Polícia e da Embratel. Tem 287 metros de altitude, está na zona leste, na Glória.
No topo do morro estão localizadas as antenas das emissoras de rádio e TV e da antiga Embratel.
Ricardo Stricher
Morro Santana: é o mais alto com 311 metros. Ocupa uma área de mil hectares, dos quais cerca de 600 pertencem à UFRGS. É um dos últimos remanescentes naturais, onde vivem em harmonia campos, lagos, cachoeiras e cascatas.
Quase dois terços da área estão ocupados por Mata Atlântica e pouco mais de um terço por campos sulinos. Estão catalogadas 400 espécies vegetais.A fauna nativa ultrapassa 100 espécies, sendo que cerca de 10% são migratórias, e chegam ao morro na primavera, ficando até o verão. São 14 espécies de mamíferos nativas.
Morro São Caetano: Tem 240 metros. Chega-se a ele também com uma lotação, a Medianeira/Morro São Caetano, que sai do Centro. Um dos mais ilustres moradores foi o escultor Vasco Prado, que lá construiu a sua casa/atelier em 1985. Morreu em 98.
Ricardo Stricher
“Aos 14 anos cheguei a Porto Alegre e nunca mais saí. Gosto de Porto Alegre. É a minha cidade. Sempre trabalhei aqui. O Morro São Caetano, porém, é uma descoberta recente. Antigamente, aquele espaço era campo. Era o que se chamava ‘fora da cidade’. Foi o crescimento urbano – a exploração imobiliária, o desenvolvimento de lotes e bairros residenciais – que aproximou o lugar. Eu nunca tinha ouvido falar do morro antes de 1985 ou 1986, quando fui morar perto do Hospital Espírita. O Morro São Caetano fica ainda além. É um dos pontos mais altos de Porto Alegre. O ponto mais alto em que se pode construir. Lá, estou erguendo o meu novo ateliê”, disse Vasco Prado ao repórter Eduardo Veras, da Zero Hora, em abril de 94.
Ricardo Stricher
De onde é esta vista? Pense, adivinhe! Adivinhou onde foi feita aquela belíssima foto de Porto Alegre que está lá em cima? Qual o Morro em que o fotógrafo Ricardo Stricher teve que subir?
Pois bem, e aí do lado?
Onde foi feita a foto?
E as anteriores?
Está bem, mais um pouquinho. As outras duas.
Certo, calma, a resposta está aí embaixo.
A primeira foto é o Morro São Caetano.
A última é o Santana. Na parte em que foi feita a foto, os “invasores” chamam de Colina ou Morro do Macaco Molhado.
A segunda é do Morro do Osso.
A terceira é do Morro de Santa Teresa
A penúltima é do morro da Glória (Polícia)
As fotos do Ricardo Stricher Estão na contracapa do jornal.
Ricardo Stricher, 53 anos, fotógrafo profissional, é nascido em Porto Alegre. Tem seu nome ligado há mais de 30 anos a fotografia, cinema e teatro. Neste espaço, a ideia é apresentar ao leitor detalhes do dia a dia da cidade. Sempre na incansável busca pelo melhor ângulo para deliciar o olhar.
Os vencedores Assim como foram escolhidas as 7 Maravilhas de Porto Alegre, os leitores do Porto Alegre é Assim! elegeram democraticamente as 7 Delícias de Porto Alegre.
A primeira eleição foi durante 60 dias e os últimos votos computados chegaram no dia 31 de agosto de 2008. No total foram 192.138 votantes.A contagem final apontou o Mercado Público em primeiro lugar, seguido pela Rua da Praia, Guaíba/Pôr-do-Sol, Usina do Gasômetro, Parque da Redenção, Estátua do Laçador e Catedral Metropolitana.
No dia 8 de novembro do ano passado terminou o prazo de também 60 dias para as escolhas das Delícias. E custamos para computar os votos porque foram várias campanhas para a escolha das sete inesquecíveis iguarias da capital gaúcha.
Acreditem, foram 265.422 votos.
Confira abaixo os vencedores:
- Carnes do Outback Steakhouse – no Shopping Iguatemi
- Pizzas na Panela, do Bar Restaurante Pedrini
- Massas em geral, do Atelier de Massas
- Espetinho de Camarão e Queijo (com molho de pimenta), do Mamma Julia – Mercado Público
- Rascatelli ao Suco com Porpeta, do Restaurante Copacabana
- Anchova ou Tainha Recheada com Camarão, do Gambrinus Restaurante – Mercado Público
- Torta de Sorvete, da Confeitaria Torta de Sorvete